Sismo no Japão causou pelo menos 18 mortos. Explosão no centro comercial Aeon fez três mortos e ainda há três desaparecidos
As primeiras imagens dentro do centro comercial que explodiu depois de um sismo no Japão
As imagens do centro comercial onde se teme que haja "alguns" mortos após sismo no Japão
Ponte destruída, santuário danificado: as primeiras imagens após um grande sismo no Japão
“As pessoas ainda estão à espera de ajuda, e cada segundo conta”, afirmou a primeira-ministra. Autoridades alertam para o risco de réplicas e deslizamentos nos próximos dias
Pelo menos 18 pessoas morreram após o sismo de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, informou a primeira-ministra Sanae Takaichi, segundo a emissora pública japonesa NHK. O total inclui mortes cuja ligação ao sismo e aos vários tremores secundários, e o número ainda não é definitivo.
“Apresento as minhas sinceras condolências à memória dos falecidos e apresento as minhas mais profundas condolências às suas famílias”, disse Takaichi aos jornalistas na manhã de quarta-feira. “As pessoas ainda estão à espera de ajuda, e cada segundo conta”, acrescentou. "Faremos todo o possível para encontrar e resgatar o maior número de pessoas que pudermos".
O sismo atingiu uma intensidade máxima de 7 na escala japonesa de shindo quando atingiu a província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sul do país, na tarde de terça-feira.
Três mortos e três desaparecidos no centro comercial Aeon
Há três mortos e três pessoas ainda desaparecidas após a explosão no centro comercial Aeon.
Akio Yoshida, presidente do centro comercial Aeon, afirmou em conferência de imprensa esta quarta-feira que três pessoas ainda estão desaparecidas e uma terceira sofreu uma paragem cardíaca.
Yoshida esclareceu que a Aeon tinha informado erradamente que quatro pessoas estavam desaparecidas após o incidente. Corrigiu agora o número, esclarecendo que três pessoas ainda estão desaparecidas.
Em comunicado, a Aeon afirmou esta manhã que a prioridade imediata do centro comercial após o terramoto foi garantir a segurança dos clientes, e que os funcionários das 204 lojas do edifício foram retirados. A empresa acrescentou que o paradeiro de aproximadamente 2.700 funcionários foi verificado após a explosão e que continuará a colaborar com as autoridades para resgatar os desaparecidos.
A Aeon expressou ainda as suas "mais profundas condolências" às famílias das vítimas da explosão no centro comercial, bem como a sua solidariedade e pedido de desculpas aos familiares das vítimas e aos feridos.
Mais 7.700 pessoas foram retiradas de casa e estão em 450 centros de acolhimento
Atualmente, existem cerca de 450 centros de acolhimentos a funcionar e aproximadamente 7.700 pessoas já foram retiradas das suas casas, afirma Takaichi, sublinhando que estão a ser tomadas medidas para fornecer aos centros alimentos, água, ar condicionado e geradores de energia. As autoridades alertaram que as temperaturas devem atingir hoje os 35°C em Kumamoto.
As equipas de resgate vasculham os destroços em locais estratégicos, incluindo os de uma fábrica de papel em Yatsushiro, onde uma chaminé colapsou. Dois trabalhadores foram encontrados e levados para o hospital em paragem cardíaca, e outros nove estão desaparecidos.
Logo após o sismo foi reportada uma explosão num centro comercial da cadeia Aeon, que alberga cerca de 200 lojas, na província. As imagens mostraram a parte superior do edifício principal destruída e parcialmente desabada. Duas mulheres na casa dos 20 anos tiveram as suas mortes confirmadas, e outra pessoa terá sofrido uma paragem cardíaca.
Os serviços ferroviários foram bastante afetados e todos os voos para o aeroporto de Kumamoto foram cancelados na terça-feira. Pelo menos 178 instalações em toda a cidade de Kumamoto foram encerradas até quarta-feira de manhã, incluindo bibliotecas, centros comunitários, parques públicos e instalações desportivas – algumas delas transformadas em abrigos temporários para evacuados.
Mais de 46 mil casas e instalações na região ficaram sem energia. Os hospitais atingidos por falhas de energia estão a esforçar-se para realocar os doentes e mantê-los refrigerados sob o intenso calor do verão, informou a emissora pública japonesa NHK. “Tornou-se um hospital em zona de guerra”, disse um responsável do Hospital Kumamoto Minami. “Estamos à procura de hospitais que os possam receber, mas não temos ideia se conseguiremos encontrar algum”, disse.
O Hospital Sakurajyuji Kumamoto Uki, que atende muitos pacientes idosos, tem lutado para manter os aparelhos de ar condicionado a funcionar. A temperatura ali deverá atingir os 32,7 graus Celsius esta quarta-feira. Vários pacientes desenvolveram o que se acredita serem sintomas de insolação, informou a NHK.
Fábricas da Honda e da Toyta suspendem operações
A Toyota vai suspender as operações em três fábricas na região sul de Kyushu, a partir do segundo turno de produção de quarta-feira até sexta-feira, devido ao impacto de um terramoto na área, informou a fabricante automóvel em comunicado. "A situação, incluindo os tremores de terra e os esforços de recuperação, está a mudar diariamente", disse a Toyota. "Continuaremos a priorizar a segurança acima de tudo nas nossas respostas e decisões".
A Honda Motor disse que vai prolongar a suspensão das operações na sua fábrica de motociclos em Kumamoto, também até sexta-feira, para permitir reparações em partes da fábrica danificadas pelo sismo.
O exército japonês mobilizou 4.600 pessoas, entre polícias e bombeiros, para operações de ajuda e enviou 20 aeronaves para avaliar os danos por via aérea, informou o ministro da Defesa. Centenas de socorristas de câmaras municipais vizinhas chegaram às zonas afetadas na noite de terça-feira. O governo vai realizar mais reuniões na quarta-feira para analisar as informações e “acelerar os nossos esforços de resposta”, disse Takaichi.
A Agência Meteorológica do Japão alertou que as áreas com os tremores mais fortes corriam risco de novos sismos e deslizamentos de terra durante cerca de uma semana.
