"Pensei que tivesse rebentado uma bomba": por dentro do caos no centro comercial que explodiu após o sismo no Japão
Autoridades ainda procuram vítimas dentro do complexo onde estavam três mil pessoas na altura do abalo
Atirados para o chão com toda a força depois de serem envolvidos numa nuvem de pó desorientadora. Isto foi o que sentiram os trabalhadores que estavam no centro comercial Aeon, na prefeitura de Kumamoto, a mais atingida pelo sismo de 7,1 registado esta quarta-feira no Japão.
Como descreve a agência Reuters, estes são os trabalhadores sortudos, porque houve quem não tivesse conseguido escapar com vida do local, que foi abalado por uma explosão na sequência do terramoto.
Centenas de lojistas e de clientes conseguiram fugir a tempo, mas os que ficaram para trás foram atingidos com tudo pela explosão que fez parte do edifício colapsar, deixando em ruínas um centro comercial que tinha acabado de reabrir.
As autoridades conseguiram encontrar oito pessoas entre os destroços, mas três delas já sem vida. Há ainda três trabalhadores desaparecidos, possivelmente entre os escombros, de acordo com a Aeon, que está a investigar uma possível fuga de gás originada depois do sismo.
Ao todo, há já 18 mortos confirmados na sequência do sismo, vários deles na fábrica da Nippon em Yatsuhiro, onde caiu uma chaminé.
“Pensei que tivesse rebentado uma bomba”, referiu Takateru Sonoda, gerente de um cabeleireiro e de um café naquele centro comercial, em declarações à Jiji Press.
“Havia pessoas a avisarem outras para saírem e as sirenes estavam a tocar. As vias ali perto estavam bloqueadas, era um estado de pânico”, acrescentou.
Para os que ficaram para trás há agora uma “corrida contra o tempo”, como descreveu a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. No local trabalham quase 200 membros das Forças Armadas que foram destacados para o resgate.
O centro comercial Aeon, o maior daquela prefeitura, tinha acabado de reabrir depois de ter passado por remodelações que tiveram de ser instituídas por causa de… um sismo ocorrido há uma década.
De acordo com o presidente da Aeon, um total de três mil clientes foram retirados no espaço de meia hora. Alguns não conseguiram sair tão rápido e, cerca de 50 minutos depois, deu-se a explosão.
“Podemos confirmar que todos os clientes foram retirados. Pensávamos que os funcionários também tinham sido retirados, mas mais tarde percebemos que havia pessoas que tinham ficado lá dentro ou que, por alguma razão, tinham regressado”, lamentou Akio Yoshida.
