Empresas japonesas começam a pagar "subsídio de inflação"... com inflação nos 2,4%

29 jul, 07:50
Rua em Shibuya, grande zona comercial de Tóquio

Num país habituado a quase três décadas sem subidas dos preços, uma inflação superior a 2 pontos está ser encarada com preocupação. Diversas empresas decidiram ajudar os funcionários com um complemento salarial transitório

Nos gráficos que mostram a inflação no Japão ao longo das últimas três décadas, a linha da inflação raramente se afasta da base zero. A curva anda sempre ali por perto, umas vezes acima do zero, outras vezes abaixo. A verdade é que desde os anos 90 o Japão quase não teve inflação e, nalguns anos, registou deflação - descida dos preços, em vez de subida. Os anos 90 ainda começaram com o que pode hoje ser considerado um pico de inflação (3,08% e 3,25% em 1990 e 1991, respetivamente), mas depois disso houve quinze anos de deflação - nos restantes anos, a inflação só por uma vez ultrapassou os dois pontos percentuais (2,76% em 2014).

De resto, a ausência de inflação, e a persistência de tendências deflacionistas, são razões para o muito débil crescimento económico do país nos últimos 30 anos, que por vezes são apelidados de "décadas perdidas".

Não espanta, por isso, que tenham soado os alarmes em abril e maio, quando a taxa de inflação saltou para os 2,5%, como consequência direta da invasão russa da Ucrânia e do aumento do preço de bens essenciais como combustíveis e cereais. Em junho, a inflação desceu ligeiramente, para 2,4%.

Este inesperado agravamento dos preços faz-se sentir sobretudo na comida - o preço das cebolas, por exemplo, subiu 40% - e o maior produtor nacional de batatas fritas de pacote anunciou um aumento dos preços dos seus produtos na ordem dos 25%, devido à grande escassez de batata no país.

Para ajudar os funcionários a lidar com o inesperado aumento do custo de vida, diversas empresas japonesas estão a oferecer aquilo a que chamam subsídio de inflação: um adicional ao vencimento que será pago transitoriamente.

Japan Inflation Rate 1960-2022

Segundo o jornal Japan Times desta sexta-feira, este subsídio começou começou a ser pago este mês por algumas empresas, enquanto outras se preparam para o fazer a partir de agosto. Há casos em que será uma ajuda por apenas dois ou três meses, mas outras companhias prometem continuar a fazê-lo enquanto a situação de inflação "alta" se mantiver.

O diário refere empresas de setores variados, desde software e eletrónica, a redes retalhistas, companhias do ramo alimentar e até fábricas de produtos em cerâmica.

A justificação das empresas, citada pelo Japan Times, é quase sempre a mesma: o subsídio de inflação será "um esforço para aliviar as preocupações dos trabalhadores em relação ao aumento dos preços da comida, da eletricidade e dos combustíveis, e poderem focar-se outra vez no seu trabalho".

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