"A segurança do Indo-Pacífico não pode ser separada da segurança europeia"

29 abr, 05:56

Japão e Alemanha dispostos a aumentar a parada contra a Rússia e alinhados na resposta às ameaças colocadas pela China e pela Coreia do Norte

A primeira visita do chanceler Olaf Scholz ao Japão está a ser marcada pelo completo alinhamento dos dois países sobre os grandes temas que dominam a atualidade internacional: Berlim e Tóquio estão de acordo sobre a importância de a comunidade internacional tomar uma posição forte contra a Rússia por causa da sua invasão da Ucrânia, admitem aumentar o nível das sanções contra Moscovo, e estão no mesmo passo em relação à necessidade de garantir que a emergência da China enquanto super-potência económica e militar não ponha em causa a estabilidade no Indo-Pacífico.

Naquela que é a sua primeira deslocação à Ásia desde que lidera o governo da Alemanha, Scholz colocou-se completamente do lado do seu homólogo, Fumio Kishida, na afirmação de uma estreita cooperação bilateral, para garantir uma região do Indo-Pacífico livre e aberta - declarações que não mencionaram a China mas parecem ter em mente o comportamento cada vez mais agressivo de Pequim em relação aos seus vizinhos, nomeadamente na gestão nos mares da China Oriental e do Sul da China.

"A segurança da região do Indo-Pacífico não pode ser separada da segurança europeia", afirmou Kishida, acrescentando que "qualquer tentativa de alterar unilateralmente o status quo pela força é absolutamente inaceitável em qualquer lugar". Scholz, ao seu lado na conferência de imprensa conjunta, anuiu às posições do chefe do governo nipónico.

Avião de Scholz leva bens doados à Ucrânia

Kishida voltou a apresentar-se com um discurso muito resoluto em relação à punição da Rússia pela invasão da Rússia, tendo adiantado que "o Japão vai implementar sanções poderosas contra a Rússia e reforçar as medidas de apoio à Ucrânia". 

Segundo foi anunciado, o avião do governo alemão que levará Scholz de volta para o seu país irá carregado com bens de primeira necessidade, tais como fraldas e produtos sanitários, que o povo japonês doou para os evacuados ucranianos.

Scholz sublinhou que as sanções contra a Rússia são um rude golpe para o país, e apontou o efeito da ação coordenada de dezenas de países, e em particular das sete economias mais avançadas, reunidas no G7, a que a Alemanha preside ao longo deste ano. Em 2023 será a vez do Japão presidir ao G7, e a coordenação de posições entre as duas capitais foi um dos dossiês das conversações desta quinta-feira. Para melhorar a articulação bilateral, os dois líderes concordaram em criar uma equipa consultiva intergovernamental, que incluirá os próprios chefes do governo e membros dos respetivos gabinetes.

Frente comum nas críticas à China

O protagonismo japonês, na linha da frente da reação asiática contra a invasão russa da Ucrânia, tem um objetivo a longo prazo mais relacionado com a segurança no Indo-Pacífico do que com a situação no Leste da Europa: Tóquio espera que, se a China confirmar com atos de agressão a sua aparente tentação hegemónica no Indo-Pacífico, a resposta das democracias e das grandes economias do mundo seja igualmente firme.

Para já, Scholz e Kishida mostraram-se de acordo na condenação das tentativas de Pequim para alterar unilateralmente o status quo no Mar do Sul da China e no Mar da China Oriental, disse o primeiro-ministro nipónico. Ainda segundo Kishida, os dois chefes de governo partilharam uma profunda preocupação com a situação dos direitos humanos na antiga colónia britânica de Hong Kong, onde os mecanismos democráticos foram suprimidos, e em Xinjiang, onde a China tem perseguido a população muçulmana de etnia uigur.

Aposta no hidrogénio

Numa palestra que deu em Tóquio, Scholz prometeu que a Alemanha irá cooperar com o Japão em matéria de segurança económica - um dos objetivos é trabalhar para quebrar a dependência dos dois países em relação às importações de energia russa.

Pobre em combustíveis fósseis, o Japão está progressivamente a regressar às centrais nucleares enquanto garantia de autonomia energética. Apenas um terço das suas centrais nucleares está em funcionamento, por causa das restrições auto-impostas após o desastre de 2011, em Fukushima, mas um plano para a reativação da restante rede de energia atómica deverá ser acelerado, conforme o primeiro-ministro já admitiu. Apesar destas condicionantes, Kishida já anunciou para breve o fim das importações de carvão russo, e quer alternativas ao gás e petróleo, embora Tóquio e Moscovo tenham (e mantêm) dois grandes projetos conjuntos para exploração destes recursos na Ilha de Sacalina.

Nas conversas desta quinta-feira com o chanceler alemão, foi o hidrogénio que esteve em destaque, enquanto alternativa aos combustíveis fósseis. Num evento com líderes empresariais, Scholz enfatizou a necessidade de rever o cabaz energético do seu país, tendo em conta que a atual dependência da Rússia se tornou insustentável.

"No futuro, o hidrogénio será uma alternativa ao gás e ao carvão de hoje. Ao promover o desenvolvimento do hidrogénio através da cooperação Japão-Alemanha, podemos trazer prosperidade em larga escala", prometeu o chanceler.

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