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Uma das piores tempestades passou pela Jamaica: isto é o que já se sabe

29 out 2025, 01:06
Furacão Melissa (Matias Delacroix/AP)
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Ainda não há vítimas a registar, mas o cenário é de destruição num país que é apenas um terço do Alentejo

Faltavam poucas horas para o contacto quando o furacão Melissa cresceu para o segundo mais forte de sempre no Oceano Atlântico. Os cerca de 300 quilómetros por hora ameaçavam uma destruição total da Jamaica, pequeno país das Caraíbas que não é mais de um terço do Alentejo.

Com uma pressão de 892 milibares no centro, todos avisaram: o que estava pela frente dos jamaicanos era algo “catastrófico”, com o país a ser atingido pela pior tempestade da sua história.

E isto dito sobre um país e uma região que estão mais do que habituados a liderar com a fúria das tempestades atlânticas.

Começava a cair a noite em Portugal quando o olho do furacão irrompeu por costa adentro, irrompendo pela zona de Treasure Beach, ainda longe da capital, Kingston, que não deixou de ser afetada.

“Tomámos todas as precauções que podíamos para assegurar que os nossos cidadãos estão seguros ou em abrigos certificados com mantimentos suficientes para passarem esta tempestade”, afirmou à CNN Robert H. P. Hill, um dos responsáveis pelo planeamento de segurança da ilha.

Quando o furacão chegou à ilha ainda era de categoria 5, a mais alta de todas, mas o contacto com a terra acabou por enfraquecer a sua fúria, o que até motivou uma revisão para a categoria 4.

Horas depois da chegada a terra, não havia ainda quaisquer relatos de mortes, ainda que a destruição seja generalizada e os impactos sejam óbvios. Ao cair da noite na Jamaica mais de meio milhão de pessoas estavam sem eletricidade. O mesmo é dizer que um quinto da população do país estava sem luz em casa.

A acompanhar a tempestade de perto, o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) avisava os jamaicanos que havia uma “última chance” para protegerem as suas vidas antes desse mesmo impacto.

Vinham aí “ventos catastróficos” e o melhor a fazer era “colocar o máximo de barreiras para o exterior”. “Uma sala interior sem janelas, idealmente onde possa escapar de quedas de árvores, é o local mais seguro para estar num edifício”, escreveu o NCH, que até recomendou a utilização de capacetes, mesmo dentro da habitação.

Foi ainda antes da entrada em força do furacão na ilha que os primeiros efeitos se começaram a sentir. Na pequena localidade de Alligator Pond, um dono de um restaurante descrevia à CNN cenas de pânico e de devastação.

Evrol Christian ia falando ao telefone enquanto tentava perceber como podia sair de casa para chegar a uma zona mais elevada, algo que já tinha pensado fazer mais cedo em conjunto com a mulher.

“Estão todos a chorar. Lamento não ter apanhado o autocarro ontem para ir para uma zona mais elevada”, confessou, enquanto da chamada se ouviam as golfadas de vento que iam atravessando a zona.

“O nível do mar está a subir a parede e estamos em sérios problemas”, afirmou, descrevendo a situação com a seguinte frase: “Toda a linha costeira desapareceu”.

O primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, já tinha dito à CNN que todos esperavam “danos catastróficos”, num discurso tantas vezes repetido que teve como clara intenção evitar o desleixo por parte da população.

“Não há infraestruturas nesta região, talvez em nenhum local do mundo, que possam aguentar um furacão de categoria 5 sem alguns danos”, lembrou.

Para a Jamaica, que nunca tinha atravessado uma coisa assim, o impacto é “particularmente direto”, nomeadamente na zona sul, onde o olho do furacão entrou com toda a força, antes de começar a perder intensidade. “Estou a rezar pelos habitantes, temo-nos preparado e rezado pelo melhor”, acrescentou Andrew Holness.

Ainda que não se conheça a real dimensão da destruição, sabe-se já que as infraestruturas da Jamaica foram “gravemente afetadas” pelo furacão Melissa. A garantia chegou de Desmond McKenzie, ministro da Administração Local e do Desenvolvimento Comunitário.

"A Jamaica está a atravessar o que se pode chamar um dos seus piores períodos. As nossas infraestruturas ficaram gravemente comprometidas", disse Desmond McKenzie, dando conta de que o olho da tempestade já se afastou de terra.

Embora as infraestruturas da Jamaica em zonas urbanas como Kingston tenham melhorado ao longo dos anos, as zonas rurais e as povoações informais continuam vulneráveis. A rede elétrica do país já estava sob pressão antes da chegada da tempestade, e agora centenas de milhares de pessoas estão sem energia, disse Desmond McKenzie.

"Elizabeth é o celeiro do país e foi atingida. Toda a Jamaica sentiu o impacto do Melissa", apontou Desmond McKenzie.

O responsável acrescentou ainda que os funcionários do governo estão “de prontidão” e aguardam “algum nível de calma” para que o país possa iniciar os esforços de limpeza e reconstrução.

Um dos piores cenários vem de St. Elizabeth, paróquia que está “debaixo de água” e altamente danificada, sendo que até o hospital está com disrupções nos serviços.

O Melissa já passou pela Jamaica e até já é “apenas” de categoria 3, mas Cuba ainda se prepara com todos os cuidados para enfrentar a pior tempestade do ano. Quanto aos efeitos, sabe-se ainda pouca coisa em concreto, não havendo ainda vítimas a registar, num cenário que pode mudar nas próximas horas.

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