O ex-presidente Jair Bolsonaro foi detido preventivamente, este sábado, depois de o sistema de monitorização da pulseira eletrónica ter detado uma ocorrência e as autoridades verificarem que o aparelho tinha sido danificado. O juiz considerou que existia risco de fuga
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro admitiu que utilizou um ferro de soldar para danificar a pulseira eletrónica. A informação consta num vídeo e num realtório divulgados este sábado pela Seape - Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal.
O documento citado pela imprensa brasileira afirma que a pulseira "possuía sinais claros e importantes de avaria" e "marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento". O relatório da Seape acrescenta que, questionado sobre que ferramenta tinha utilizado para violar a pulseira, Bolsonaro disse que usou um ferro de soldar.
Um vídeo divulgado pelo STF - Supremo Tribunal Federal e anexado ao processo contra Bolsonaro mostra o diálogo entre uma agente da polícia o ex-presidente. No vídeo, Bolsonaro diz que usou o ferro apenas por "curiosidade" e que não tentou puxar a pulseira.
Jair Bolsonaro está detido nas instalações da polícia federal e vai ser ouvido em audiência de custódia este domingo às 12:00 (15:00 em Lisboa).
Detenção aconteceu durante a madrugada devido a elevado risco de fuga
Jair Bolsonaro foi detido esta noite depois de ter tentado retirar a pulseira eletrónica que lhe permitia cumprir a pena em prisão domiciliária. De acordo com o mandado de detenção, assinado pelo juiz do Supremo Tribunal de Federal (STF) Alexandre Moraes, as autoridades de monitorização do sistema detetaram uma ocorrência pouco depois da meia-noite local (04:00 de Lisboa). O juiz considerou que haveria risco elevado de fuga e colocou a hipótese de Bolsonaro aproveitar a confusão gerada pela vigília convocada pelo filho, à porta do condomínio onde reside, para fugir este sábado à noite.
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta SUPREMA CORTE a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, pode ler-se no documento divulgado pela imprensa brasileira.
Alexandre Moraes considerou ainda que a proximidade da casa de Bolsonaro de embaixadas c omo a dos Estados Unidos aumentaria o risco de fuga, para tentar escapar a uma prisão efetiva, que tem sido discutida nos últimos dias. Já não seria a primeira vez que Jair Bolsonaro teria tentado a fuga à prisão através do refúgio na embaixada de outro país. "Rememoro que o réu, conforme apurado nestes autos, planejou, durante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político àquele país", escreveu Alexandre Moraes.
Pesou também para a decisão de deter preventivamente o antigo presidente brasileiro o facto de vários dos seus aliados terem abandonado o país, incluindo o filho Eduardo Bolsonaro, mesmo sendo alvos de ações penais no STF.
"Não bastassem os gravíssimos indícios da eventual tentativa de fuga do réu Jair Messias Bolsonaro acima mencionados, é importante destacar que o também Alexandre Ramagem Rodrigues, a sua aliada política Carla Zambelli, ambos condenados por esta Suprema Corte; e o filho do réu, Eduardo Nantes Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República no STF, também se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal", pode ler-se no documento.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi detido preventivamente, este sábado. A detenção ocorreu às primeiras horas da manhã. Viaturas descaracterizadas chegaram à casa do ex-presidente brasileiro, localizada num condomínio de luxo em Brasília, por volta das 06:00 (hora local) e deixaram o local cerca de meia hora depois. Bolsonaro foi levado para as instalações da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde, de acordo com o portal de notícias G1, vai ficar numa sala de Estado, espaço reservado para autoridades como presidentes da República e outras altas figuras públicas.