Bolsonaro nega apoiar atos violentos e pede oposição de seguidores a Lula da Silva

Agência Lusa , WL
30 dez 2022, 16:57
Jair Bolsonaro

Para o presidente brasileiro, que será substituído por Lula da Silva neste domingo, os protestos são uma “reação” a um processo eleitoral que “não teve toda a transparência”

O Presidente cessante do Brasil, Jair Bolsonaro, que será substituído no domingo por Luiz Inácio Lula da Silva, reprovou esta sexta-feira a atuação de apoiantes radicais que cometeram atos de violência, mas pediu aos seus seguidores que façam “forte oposição” ao novo Governo.

“Não vamos acreditar que o mundo acaba neste 1 de janeiro”, disse Bolsonaro, referindo-se à posse de Lula da Silva, numa cerimónia este domingo em Brasília.

Falando visivelmente emocionado, numa transmissão ao vivo nas suas redes sociais, na qual exortou os seus seguidores “a não jogarem a toalha ou deixarem de fazer oposição" ao novo Governo.

"O Brasil não sucumbirá, acreditem em vocês (…) Perde-se a batalha, mas não perderemos a guerra", defendeu o Presidente demissionário brasileiro.

"Nada justifica aqui em Brasília essa tentativa de ato terrorista no aeroporto de Brasília. Nada justifica. Um elemento que foi pego, graças a Deus, com ideias que não coadunam com nenhum cidadão. Agora massifica em cima do cara como ‘bolsonarista’ do tempo todo. É a maneira de a imprensa tratar", acrescentou Bolsonaro, referindo-se a um seguidor que tentou explodir um camião com combustível, mas acabou preso pela polícia.

O Presidente brasileiro não confirmou se pretende viajar para os Estados Unidos nas próximas horas, embora o Governo já tenha dado a entender que é possível que ele embarque nesta sexta-feira para Miami.

Numa declaração que durou pouco mais de uma hora, Bolsonaro não reconheceu a plenamente sua derrota nas eleições de outubro passado nem parabenizou Lula da Silva - o que nunca aconteceu até agora -, e insistiu ter sido vítima da justiça eleitoral que, na sua opinião, favoreceu o Presidente eleito com várias decisões.

Bolsonaro reiterou que a sua liberdade e a dos grupos de extrema-direita que o apoiam teriam sido limitadas e que eles foram impedidos de denunciar as falhas que, segundo insiste em afirmar sem apresentar qualquer prova, ocorreram no sistema de votação eletrónica que é usado no Brasil desde 1996.

Sem citar o nome de Lula da Silva, o Presidente brasileiro afirmou que "o novo Governo que vem aí vai criar muitos problemas" e vai "impor ao país uma ideologia desastrosa que não deu certo em nenhum lugar do mundo”.

“Aqueles que trabalharam contra vão sentir o peso das coisas erradas que estão vindo aí. O cara [Lula da Silva] nem assumiu e já temos problemas”, disparou.

Bolsonaro também justificou as manifestações junto a quartéis do Exército, onde grupos de apoiantes pedem um golpe militar para impedir a posse de Lula da Silva e mantê-lo no poder.

Na sua opinião, são uma “reação” a um processo eleitoral que “não teve toda a transparência”, que levou “uma massa popular a sair às ruas e protestar”.

Bolsonaro também afirmou que não convocou estas mobilizações, mas insistiu que se trata de “um protesto pacífico, ordeiro, que respeita as leis” e que constitui “uma manifestação espontânea do povo”.

Segundo o líder de extrema-direita brasileira, o seu lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade não se perderão” deve ser agora o guia “de todos os patriotas” que querem “o regresso de um país com ordem e progresso”.

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