Segundo os advogados, o histórico de saúde mental do ex-presidente fez com que a sua equipa de segurança optasse por fazer modificações no armamento
Na última terça-feira, um militar foi abordado pela polícia enquanto estava em posse de uma arma de fogo que pertencia a Jair Bolsonaro. No dia seguinte ao ocorrido, a defesa do ex-presidente enviou explicações ao Supremo Tribunal Federal e alegou que o objeto havia sido inutilizado para evitar riscos e, por isso, teria sido enviado para reparo.
Segundo o portal de notícias g1, integrantes da segurança pessoal do político teriam adulterado o equipamento para deixá-lo inoperante. Isso, de acordo com a justificativa enviada ao tribunal, ocorreu devido ao histórico recente de saúde mental do ex-chefe de Estado. “[...] As medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição - e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica -, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, afirmaram os advogados.
O caso mencionado pela defesa ocorreu a 22 de novembro do último ano. Na altura, Bolsonaro estava em prisão domiciliária e utilizou um ferro de soldar para tentar retirar a pulseira eletrónica. “Meti um ferro quente aí”, explicou a agentes que estavam a analisar os danos no aparelho.
Na época, a defesa do ex-presidente alegou que o episódio foi resultado de um “surto” causado por medicamentos psiquiátricos. Aliados políticos também chegaram a afirmar que Bolsonaro suspeitava que existiam escutas dentro do objeto. Isso, porém, não foi o suficiente para convencer a Justiça de que não havia risco de fuga, e o antigo chefe de Estado foi transferido para uma cela da Polícia Federal em Brasília.
Este histórico, então, justificaria a decisão dos seguranças de inutilizar a arma de fogo que estava na residência do ex-presidente. De acordo com os advogados, Bolsonaro testou o equipamento e constatou que "o mecanismo não estava a funcionar regularmente". Por isso, solicitou que um dos seguranças o levasse para realizar o reparo necessário. “A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção”, consta no documento.
Mesmo assim, a defesa garante que Jair Bolsonaro não deseja a restituição da arma durante o período em que estiver em prisão domiciliária. O antigo chefe de Estado foi condenado a mais de 27 anos de prisão por diversos crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado.
