Bolsonaro "planeou, atuou e controlou de forma direta e efetiva" a tentativa de golpe de Estado no Brasil

CNN Brasil , Lucas Mendes
26 nov 2024, 22:02
Jair Bolsonaro pronuncia-se pela primeira vez após a vitória de Lula da Silva. (Imagem AP)

Relatório final da investigação foi tornado público

A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro “planeou, atuou e controlou de forma direta e efetiva” os atos realizados por uma organização criminosa envolvida na tentativa de um golpe de Estado no Brasil.

De acordo com a PF, o golpe não se consumou “por circunstâncias alheias à sua vontade”.

Os investigadores concluíram que Bolsonaro “tinha plena consciência e participação ativa” na prática de “atos clandestinos” que visavam abolir o Estado de Direito.

“Os elementos de prova obtidos ao longo da investigação demonstram de forma inequívoca que o então Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, planeou, atuou e controlou de forma direta e efetiva dos atos realizados pela organização criminosa que visava a concretização de um golpe de Estado e da abolição do Estado democrático de Direito, facto que não se consumou por razões alheias à sua vontade”, disse a PF.

A conclusão está no relatório final da investigação, tornado público esta terça-feira. A Polícia Federal indiciou Bolsonaro e mais 36 indivíduos no caso.

O relatório da PF mostra que a organização, que planeava matar o então presidente recém-reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, tinha também o objetivo de “incitar” a população de direita a resistir em frente aos quartéis do Exército para criar o ambiente “propício” para um golpe de Estado. Através de vários canais, sobretudo nas redes sociais, a organização fazia ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral e divulgava fake news sobre possíveis fraudes nas eleições de 2022, que resultaram na derrota de Jair Bolsonaro.

De acordo com a PF, os factos criaram o ambiente propício para o “florescimento de um radicalismo”, que resultou no episódio que ficou conhecido como 8 de Janeiro, quando manifestantes invadiram e vandalizaram os prédios dos Três Poderes, e no atentado à bomba realizado no mesmo local a 13 de novembro de 2024.

Em fevereiro, uma operação relacionada com essa tentativa de golpe de Estado resultou na detenção de militares do Exército e kde um ex-assessor da presidência, com buscas que visaram uma série de aliados de Bolsonaro. O ex-presidente foi um dos alvos dos 33 mandados de busca e apreensão naquela operação, chamada Tempus Veritatis (hora da verdade), sendo obrigado a entregar o passaporte.

Nos últimos meses, a polícia brasileira, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal avançaram com investigações e punição dos executores dos atos, mas as autoridades ainda não chegaram a uma conclusão sobre a participação ou não do ex-presidente Jair Bolsonaro na sua instigação. Caso seja processado e condenado pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito e associação criminosa, Bolsonaro pode ser condenado uma pena de até 23 anos de prisão e ficar inelegível para a presidência por mais de 30 anos.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Brasil

Mais Brasil