Bolsonaro nega ter falsificado registo de vacinas para viajar para os EUA - "não tomei a vacina da covid, ponto final"

3 mai 2023, 16:46
Jair Bolsonaro (AP)

Antigo presidente recusou prestar depoimento à polícia, mas aos jornalistas negou a adulteração do cartão de vacinas

Jair Bolsonaro devia ter sido ouvido por uma equipa da Polícia Federal, em Brasília, pelas 10:00 locais (14:00 em Lisboa), depois de buscas à sua residência. Mas, de acordo com o portal de notícias G1, recusou-se a prestar declarações às autoridades.  

Falou, contudo, aos jornalistas, para garantir que não houve qualquer adulteração do seu boletim de vacinas. "Nunca me foi pedido cartão de vacina em lugar nenhum. Não existe adulteração da minha parte. Eu não tomei a vacina, ponto final. Nunca neguei isso", disse, citado pela CNN Brasil.

"O cartão de vacina da minha esposa também foi fotografado, ela tomou a vacina nos Estados Unidos, da Janssen. E a outra minha filha, Laura, de 12 anos, não tomou a vacina também, tem laudo [relatório] médico no tocante isso", acrescentou o ex-presidente.

O ex-presidente do Brasil confessou aos jornalistas ter ficado “surpreso” com as buscas à sua residência e com a detenção de colaboradores seus. De acordo com a TV Globo, Bolsonaro e os colaboradores foram alvo de mandados de busca e detenção. A Polícia Federal estará a investigar alegadas informações falsas no boletim de vacinas do antigo presidente e da filha. A mulher e a filha de Mauro Cid, um dos detidos e antigo braço-direito de Bolsonaro, também são suspeitos de terem adulterado os boletins de vacina. Em causa está a vacinação contra a covid-19, contra a qual Jair Bolsonaro sempre se manifestou.

Telemóvel de Bolsonaro apreendido

Ainda de acordo com a TV Globo, a fraude nos boletins de vacina de Bolsonaro e da filha terá sido cometida em dezembro de 2022, com dados falsos de suposta vacinação a serem inseridos no sistema a 21 de dezembro, pouco antes da viagem do ex-presidente para os Estados Unidos (no penúltimo dia de mandato). O sistema terá passado então a indicar que Jair Bolsonaro teria tomado duas doses da vacina contra a covid-19. A primeira, supostamente recebida a 13 de agosto de 2022, no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A segunda, supostamente no dia 14 de outubro, no mesmo estabelecimento de saúde. Os dados terão sido depois retirados do sistema a 27 de dezembro.

A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, pronunciou-se sobre as buscas, garantindo desconhecer os motivos da operação e adiantando que o telemóvel do marido tinha sido apreendido. A antiga primeira-dama diz que soube pela imprensa que os motivos das buscas estavam relacionados com a vacinação contra a covid-19 e rematou: "Na minha casa, apenas EU fui vacinada.”

Mauro Cid será o cérebro da alegada fraude com o boletim de vacinas de Bolsonaro e da filha. Avança o G1 que Mauro Cid pediu ajuda ao ex-vereador do Rio de Janeiro, Marcello Siciliano, envolvido no caso Marielle Franco, para falsificar o cartão da própria mulher, Gabriela Santiago Ribeiro Cid.

Os outros detidos

Além de Mauro Cid, foram também detidos o sargento Luis Marcos dos Reis, que fazia parte da equipa de Cid, o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros, o agende da Polícia Militar Max Guilherme (que trabalhou na segurança presidencial), o militar do Exército Sérgio Cordeiro (que também fez parte do corpo de segurança pessoal de Bolsonaro) e o secretário municipal de governo de Duque de Caxias, João Carlos de Sousa Brecha (que terá introduzido os dados da alegada falsa vacinação de Bolsonaro no sistema).

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