O cabelo perde-se mas pode não ser para sempre: uma explicação sobre a alopécia areata, a doença da mulher de Will Smith

28 mar, 20:43

Ator agrediu Chris Rock, que tinha feito uma piada sobre a falta de cabelo de Jada Pinkett-Smith. A doença em causa afeta homens e mulheres, tem tratamento e a queda de cabelo não é permanente na maioria dos casos

Jada Pinkett-Smith, a mulher de Will Smith, adotou há alguns meses um novo visual: a atriz passou a usar o cabelo rapado, na sequência dos problemas com a "queda de cabelo" que tinha anunciado publicamente em 2018. 

"Foi assustador quando começou. Um dia estava no duche e tinha as mãos cheias de cabelo, pensei 'meu Deus, vou ficar careca?!'", disse a atriz num programa de televisão. 

Em dezembro de 2021, numa publicação no Instagram, Jada Pinkett-Smith mostrava uma linha na cabeça sem qualquer cabelo a nascer, dizendo que ela e a alopécia teriam de "ser amigas". Porque a linha sem cabelo se assemelhava a uma cicatriz, Pinkett-Smith dizia que fazia o vídeo para que ninguém pensasse que tinha sido sujeita a uma cirurgia ao cérebro. 

A atriz sofre de alopécia areata, uma das duas formas de alopécia conhecidas, e que se caracteriza pelas chamadas "peladas" na cabeça, explica Ana Sofia Baptista, correspondente médica da CNN Portugal. "É uma doença do foro dermatológico que causa perda de porções de cabelo. É importante dizer que esta perda de cabelo não é permanente na maioria dos casos, parte importante das pessoas recupera ao fim de um ano. E pode ter muitas causas", diz a médica. 

Segundo Ana Sofia Baptista, ainda há muito por compreender na alopécia, que os médicos classificam como doença autoimune, uma vez que é o próprio corpo que ataca os folículos pilosos e o cabelo deixa de crescer. "Tem que ver com factores como stress, factores psicológicos e, nalguns casos, associar-se a outras doenças do foro autoimune, como vitiligo, tiroidite e anemia, que é causada pela deficiência de vitamina B12", explica a correspondente médica da CNN Portugal. 

O diagnóstico da alopécia areata é geralmente clínico: depende da observação do médico, que pode ainda pedir exames de sangue para despistar a associação da alopécia a outras doenças. Afeta tanto homens como mulheres e o tratamento faz-se normalmente recorrendo a corticoides, quer de aplicação tópica, como cremes ou champôs, quer orais ou injetáveis.

"Estima-se que em cada 50 pessoas pelo menos uma terá um episódio de alopécia ao longo da vida", uma percentagem que é "significativa", afirma Ana Sofia Baptista. "Mas, na maioria, há uma regressão desta condição, há recuperação. Só que pode haver recaídas, aliás, na maioria das pessoas que tem um episódio pode voltar a acontecer", explica a médica, assinalando que são raros os casos em que a alopécia areata atinge todo o couro cabeludo, manifestando-se sobretudo pela queda de cabelo em porções. "Fica muito inestético, daí ser uma doença psicologicamente muito complicada. Tem um impacto enorme", admite.  

Já a alopécia androgenética caracteriza-se por ser diferente logo em termos de aspeto: "As pessoas ficam com as chamadas entradas", explica Ana Sofia Baptista. "É geralmente uma doença mais progressiva", esclarece. A rapidez e evolução da queda de cabelo são variáveis. "Ainda há muito por explicar", aponta a correspondente médica da CNN Portugal. 

Este tipo de alopécia nas mulheres acontece "sobretudo após a menopausa, mas não exclusivamente", refere Ana Sofia Baptista. "É também uma condição comum em homens após a puberdade. Afeta sobretudo a área frontal do couro cabeludo e é mais raro as mulheres poderem ficar completamente sem cabelo", explica a médica.

"Na androgenética, embora o aspecto possa ser um pouco diferente entre homens e mulheres, as pessoas queixam-se de uma perda mais progressiva, que estão a ficar com umas 'entradas' pronunciadas ou com uma careca no cimo da cabeça", acrescenta.

Para a doença podem contribuir factores hormonais e genéticos e o diagnóstico é clínico, existindo tratamentos disponíveis para travar a queda dos fios. As principais opções são o transplante capilar ou então fármacos como "minoxidil, finasterida e espironolactona".

O minoxidil tem propriedades vasodilatadoras, a finasterida interfere na produção hormonal, bem como a espironolactona, uma "opção para mulheres com alopécia androgenética", explica a correspondente médica da CNN Portugal. 

Recorde-se que foi devido a uma piada de Chris Rock sobre o cabelo rapado de Jada Pinkett-Smith que Will Smith, o marido da atriz, subiu ao palco do Dolby Theater, em Los Angeles, para dar um estalo no comediante antes de vencer um Óscar.

Chris Rock insinuou que Pinkett-Smith poderia interpretar o papel de G.I. Jane - papel que foi desempenhado por Demi Moore também com cabelo rapado -, fazendo a mulher de Will Smith revirar os olhos e o próprio ator reagir de forma intempestiva, interrompendo a cerimónia para o agredir.

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