Turista despe-se para sessão fotográfica nos degraus de catedral italiana e acaba acusada por “atos obscenos”

CNN , Por Julia Buckley
24 out, 19:00
Turista faz sessão fotográfica completamente nua na escadaria de uma catedral italiana

Desde conduzir um carro pelos degraus espanhóis de Roma até fazer surf pelo Grande Canal de Veneza e destruir esculturas no Vaticano, alguns turistas este verão têm tratado Itália como se fosse o seu parque temático pessoal.

Agora, no seguimento de uma turista checa ter tomado banhos de sol em topless num memorial de guerra e de um grupo de americanos todos nus ter mergulhado nos canais de Veneza, houve mais três visitantes da Costa de Amalfi que foram acusados de praticar “atos obscenos” após uma mulher ter sido apanhada nua a fazer uma sessão fotográfica improvisada nos degraus da catedral de Amalfi.

Na segunda-feira da semana passada, por volta das 7:30, a mulher foi apanhada, em vídeos gravados por habitantes locais aterrorizados, a posar para fotografias com apenas uma faixa vermelha de tecido cobrindo a parte da frente do seu corpo, junto às portas da catedral, que foram moldadas em 1067 em Constantinopla, e por baixo de um mosaico de Santo André, cujas relíquias estão alojadas no interior, segundo se sabe.

O local da filmagem foi particularmente ofensivo para os membros da comunidade, afirmou a historiadora de arte e escritora Laura Thayer, que vive em Amalfi e escreve no blogue Ciao Amalfi. “O facto de o terem feito na igreja foi o que tornou este episódio tão chocante”, explicou à CNN.

“O Duomo é um local de culto e um lugar muito próximo dos corações dos Amalfitanos. Este pano de fundo específico é uma memória histórica de referência dos locais. As portas de bronze remontam aos dias da República de Amalfi. Estas portas abrem-se para procissões, para casamentos, para funerais - momentos que criam vida."

“Sim, é lindo, mas Amalfi é muito mais do que um pano de fundo bonito para uma fotografia nas redes sociais.”

É possível ouvir uma mulher, habitante local que filmou o acontecimento, a chamar “louca” aos turistas. “Nua na igreja”, disse.

A catedral - que remonta ao século IX - é dedicada ao apóstolo Santo André, com as suas relíquias que se acredita terem sido lá guardadas desde 1206. Foi construída durante o apogeu de Amalfi como uma superpotência marítima rival de Génova, Veneza e Pisa. Atualmente, as suas ruas estreitas são dominadas por turistas.

Acredita-se que na catedral estejam guardadas as relíquias de Santo André. Alex Tihonov/Adobe Stock

O site local Positano News, que publicou o vídeo, afirmou que o trio - que não tinha autorização para realizar a sessão fotográfica - foi apanhado pela polícia antes de deixar a cidade. Acrescentou ainda que o seu equipamento não parecia ser profissional.

Amalfi Notizie, outro website local que publicou o vídeo no Facebook, contou que a mulher - que chegou completamente vestida à igreja, e subiu as escadas para se despir - disse à polícia que estavam apenas a criar uma memória da sua viagem à Costa de Amalfi, e não a fazer a sessão por motivos de promoção pessoal.

Um representante da polícia de Amalfi disse à CNN que o trio era inglês: um fotógrafo masculino, mais a modelo e a assistente.

Acrescentaram que a polícia os tinha encaminhado para o Ministério Público por praticarem “atos obscenos num local público”.

O arcebispo de Amalfi-Cava ainda não comentou o sucedido. Um porta-voz do presidente da câmara de Amalfi também não respondeu a um pedido de comentários por parte da CNN.

Em setembro, duas mulheres foram apanhadas a dar um mergulho à meia-noite na fonte de Sant'Andrea de Amalfi. A fonte barroca, esculpida no século XVIII, é um dos principais locais de referência da cidade, que tem no topo uma estátua de Santo André.

Thayer escreveu que Amalfi esteve “mais ocupada do que nunca” este verão, e com o tempo anormalmente quente, as multidões continuam a chegar.

“Episódios como estes são bons para relembrar a importância de respeitar os lugares que visitamos e as pessoas que lá vivem”, acrescentou ela.

Valentina Di Donato, da CNN, contribuiu para este artigo.

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