Mãe de Tommaso está "conformada com a ideia de que o filho não vai sobreviver", uma vez que "não tem motivos" para contradizer os melhores profissionais do país
A comissão de especialistas reunida na quarta-feira no Hospital Monaldi de Nápoles (sul) descartou a possibilidade de um novo transplante de coração para Tommaso, o menino de dois anos e meio que recebeu um órgão danificado em dezembro, informaram os meios de comunicação italianos.
Após uma avaliação médica exaustiva e uma análise dos últimos exames por parte de uma equipa de especialistas dos principais hospitais italianos especializados em transplantes pediátricos, concluiu-se que as condições atuais do menino não são compatíveis com uma nova intervenção cirúrgica, apesar de ter sido notificada na terça-feira a possível disponibilidade de um órgão compatível.
A direção do hospital explicou que comunicou a decisão ao Centro Nacional de Transplantação e expressou a sua "mais sincera proximidade à família" de Tommaso neste momento "muito difícil".
O advogado da família, Francesco Petruzzi, declarou aos meios de comunicação locais que "a mãe está conformada com a ideia de que o seu filho não vai sobreviver" porque "não tem motivos" para contradizer "os maiores especialistas em Itália".
O ministro da Saúde, Orazio Schillaci, afirmou que o parecer dos peritos "marca um resultado diferente do que todos esperávamos", mas que é necessário "respeitar as indicações da ciência".
Afirmou também que é seu "dever esclarecer a situação" sobre o que aconteceu, ao mesmo tempo que manifestou a sua proximidade à família da criança.
Tommaso permanece em estado crítico na unidade de cuidados intensivos do Monaldi, ligado a um sistema de ECMO (oxigenação por membrana extracorporal), que substitui temporariamente as funções do coração e dos pulmões.
O primeiro transplante, realizado em dezembro passado, não foi bem sucedido devido à deterioração do órgão transportado de Bolzano (norte), que chegou danificado por um possível choque térmico que teria sido provocado pela utilização de gelo seco num contentor fora dos protocolos estabelecidos.
O Ministério Público de Nápoles está a investigar o caso para apurar se houve falhas ou negligência na cadeia de custódia do órgão.