Órgão sofreu danos antes do transplante, provavelmente devido ao contacto com gelo seco durante o transporte
Roma - Itália está em expectativa por causa da saúde de Tommaso, uma criança de dois anos internada em estado crítico no Hospital Monaldi de Nápoles (sul) após receber um coração danificado num transplante, enquanto uma equipa de especialistas decide esta quarta-feira se ele pode ser submetido a uma nova cirurgia, segundo noticiam vários meios de comunicação italianos.
O caso de Tommaso, que teve grande repercussão nos média do país, remonta a dezembro passado, quando a criança foi submetida a um transplante de coração devido a uma miocardiopatia dilatada, doença que afeta o músculo cardíaco e dificulta o bombeamento eficiente do sangue.
O transplante, no entanto, não foi bem-sucedido, pois o órgão sofreu danos, provavelmente devido ao contacto com gelo seco durante o transporte do norte de Itália.
Para manter a criança viva, os médicos ligaram-na a um sistema ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea), que substitui temporariamente as funções do coração e dos pulmões.
Atualmente, após mais de cinquenta dias em suporte vital, o menino apresenta complicações graves, entre as quais hemorragia cerebral, insuficiência multiorgânica e infecções ativas.
Na noite desta última terça-feira, o hospital comunicou à família a possível disponibilidade de um novo coração compatível, embora o órgão também esteja a ser avaliado por outros centros na lista de espera, e a decisão esteja condicionada pelo estado atual do paciente e pelas complicações presentes.
Uma equipa multidisciplinar de especialistas em transplantes pediátricos de vários hospitais italianos, como o Regina Margherita de Turim (norte), o hospital universitário de Pádua (norte), o Papa Giovanni XXIII de Bergamo (norte), o Hospital Bambino Gesú de Roma (centro) e o próprio Monaldi, reuniu-se esta quarta-feira em Nápoles para determinar se o menor pode ser submetido a uma segunda cirurgia.
O caso também está a ser investigado pelas autoridades italianas.
Inspectores do Ministério da Saúde começaram a recolher documentação no Hospital Monaldi e em Bolzano (norte), cidade de origem do órgão transplantado.
Por sua vez, o Ministério Público de Nápoles abriu um processo para esclarecer as circunstâncias do transporte do coração, que teria sido conservado num recipiente fora dos protocolos estabelecidos, sem sistemas adequados de controlo de temperatura.
Os investigadores estão a examinar se o uso de gelo seco, em vez de gelo convencional, pode ter causado um "choque térmico" no tecido cardíaco, causando danos irreversíveis.
Até ao momento, seis profissionais de saúde estão a ser investigados por possíveis erros na cadeia de custódia do órgão, enquanto os interrogatórios e análises técnicas continuam.
Além disso, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, contactou na terça-feira a mãe da criança, Patrizia Mercolino, a quem transmitiu o seu apoio e expressou o desejo de que as responsabilidades do caso sejam esclarecidas, segundo declarou o advogado da família, Francesco Petruzzi.