Bilhetes são obrigatórios, mas ainda há um espacinho de tempo para quem não quiser pagar
Reza a lenda que atirar uma moeda na Fontana di Trevi, em Roma, garante o regresso à Cidade Eterna. Duas moedas prometem amor com um italiano. Três, o casamento com um italiano.
Desde 2 de fevereiro, no entanto, pedir qualquer um desses desejos tem um preço. Os visitantes agora precisam comprar um bilhete de 2 euros, para se aproximarem da fonte e atirarem moedas à água.
A autarquia de Roma introduziu o novo sistema de bilhetes para não residentes como parte do mais recente esforço para controlar as multidões num dos pontos turísticos mais lotados da capital italiana. Os bilhetes são obrigatórios das 11:00 às 22:00 às segundas e sextas-feiras e das 9 às 22:00 no resto da semana. Após as 22:00, as barreiras são abertas e o acesso é gratuito para todos.
No primeiro dia do novo sistema, nem todos estavam convencidos. Um grupo de turistas espanhóis, sem vontade de pagar, ficou do lado de fora e atirou moedas para fonte, por cima das barreiras. Várias nem chegaram à água. No lado de dentro das barreiras, os visitantes que pagaram tiveram de se baixar enquanto choviam moedas. Um funcionário da autarquia disse que iriam ser introduzidas patrulhas para evitar ferimentos causados por arremessos errados.
A Fontana di Trevi, imortalizada no filme “La Dolce Vita”, tornou-se um ponto crítico para o problema do excesso de turismo em Roma, especialmente durante o pico do verão. A pequena praça costuma ficar lotada de visitantes, muitos segurando gelatos derretidos ou enchendo garrafas de água na fonte.
Em 2024, a cidade testou um sistema de barreiras para limitar o acesso à fonte, avaliando se o controlo da multidão era viável. O resultado foi uma queda acentuada no número de pessoas dispostas a ficar na fila para ter acesso de perto à obra-prima barroca do século XVIII, que marca o ponto final de um antigo aqueduto.
Combate ao excesso de turismo
Ainda assim, a procura continua alta. Em 2025, mais de 10 milhões de pessoas fizeram fila para se aproximarem da fonte, com picos diários de cerca de 70 mil visitantes, durante os períodos mais movimentados, contabiliza o presidente da câmara de Roma, Roberto Gualtieri.
Aa autoridades municipais estimam que o novo bilhete pode gerar entre 6,5 milhões e 20 milhões de euros por ano.
Os portadores de bilhetes estão proibidos de comer ou beber perto da fonte e, de acordo com as autoridades, também estarão protegidos de carteiristas que frequentemente visam turistas distraídos na praça cheia de gente.
Alessandro Onorato, vereador de Roma para grandes eventos, turismo, desporto e moda, disse que a taxa foi concebida principalmente para conter o excesso de turismo, com as receitas destinadas a custos de manutenção e pessoal.
“Se a Fontana di Trevi estivesse em Nova Iorque, cobrariam 100 dólares para entrar”, adivinhou Alessandro Onorato, durante a inauguração, na manhã de segunda-feira.
Alguns visitantes não se mostraram incomodados com o preço. Raul, um turista argentino, disse à CNN que pagaria com prazer dois euros para ver a fonte de perto pela primeira vez, isto apesar de ter dispensado a taxa na segunda-feira, porque já a tinha visitado antes.
“Dois euros é um preço justo para ver algo assim de perto”, considerou. “Mais do que isso, talvez não”. Momentos depois, Raul atirou uma moeda do lado de fora das barreiras.
O bilhete para a Fontana di Trevi segue uma série de medidas italianas destinadas a regular o turismo, incluindo a taxa de entrada em Veneza para excursionistas durante os horários de pico e novas restrições em locais famosos nas redes sociais, como a varanda de Julieta em Verona e a igreja de Santa Maddalena, no sopé das Dolomitas, no norte da Itália.
As moedas recolhidas da fonte, cerca de 1,5 milhões de euros por ano, continuarão a ser doadas à instituição de caridade católica Caritas, que financia programas para os mais pobres.
Os bilhetes podem ser comprados online ou através de códigos QR exibidos no local. Crianças menores de cinco anos, pessoas com deficiência e residentes em Roma estão isentos.