Sacchi conta como moldou Van Basten com desenhos, um megafone e champanhe

13 nov 2021, 12:13
Van Basten (Simon Bruty /Allsport)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Revelações do treinador italiano no seu novo livro «Os imortais»

Arrigo Sacchi, antigo treinador do Milan, explica no seu novo livro, «Os imortais», como «moldou» a difícil personalidade de Marco van Basten e o transformou num dos jogadores mais marcantes da história do clube rossonero e do futebol europeu. Um trabalho que envolveu megafones, desenhos e muito champanhe.

«O Marco van Baten tinha um carácter muito especial. Era sensível, podia literalmente mudar com o tempo - uma diferença na pressão do ar ou na temperatura podia provocar-lhe uma lesão. Mas também foi um jogador brilhante que não trocaria nem pelo melhor avançado da era moderna - o brasileiro Ronaldo», começa por enunciar o carismático treinador italiano.

O primeiro obstáculo que Sachi detetou, foi a desconfiança e o snobismo de Van Basten. «Era um bom rapaz e um campeão excecional, cujo talento era verdadeiramente único. No início, trabalhei muito para fazê-lo perceber que nós, italianos, não éramos uns animais primitivos. Se ele tinha um calo no pé, procurava um pédicure holandês. Se tinha uma dor de dentes, ia a um dentista holandês. Se precisava de cortar o cabelo, ia a um barbeiro holandês», explicou.

Receios que o treinador italiano ultrapassou com muita conversa. «Costumava dizer-lhe: “Lembra-te, Marco, quando nós (italianos) estávamos a vencer Campeonatos do Mundo, vocês ainda estavam debaixo de água”. No final, conseguimos convencê-lo, até porque foi em Milão que se tornou no Van Basten. Ele nunca ganhou a Bola de Ouro na Holanda. Uma vez, quando voltou da seleção nacional, o Marco disse-me: “Chefe, o Milan joga melhor do que a Holanda e eu divirto-me mais aqui”», escreve Sacchi.

O técnico italiano tem histórias que nunca mais acabam com o antigo craque holandês. «Noutra ocasião, estávamos juntos a assistir a um Pescara-Nápoles na televisão, em Milanello [campo de treinos do Milan]. O Pescara de Giovanni Galeone cercou o Nápoles, que simplesmente não conseguia sair ou fazer a ligação com seus avançados. Eu disse: “Marco, gostarias de jogar no Nápoles de Maradona?". E ele respondeu: “Se é assim que eles jogam, ia logo embora”», revelou.

Mas Sacchi teve que ir mais longe para conquistar a confiança do avançado. «Foi preciso tempo e, em alguns casos, algumas caixas de champanhe para conquistar a sua confiança e contornar o snobismo holandês, mas no final ele tornou-se num dos campeões mais convictos da causa, porque entendeu que o nosso jogo o tornava grande».

Sacchi revela ainda que procurava espicaçar Van Basten com apostas e exercícios. «Apostávamos uma caixa de champanhe. Montava uma defesa com quatro defesas e desafiava-o a montar uma equipa com dez jogadores, sem guarda-redes. Se conseguisse marcar um golo a cada quinze minutos, a equipa dele ganhava. Queria mostrar-lhe que uma defesa bem organizada é mais forte que dez jogadores a improvisar. A equipa dele atava, atacava, mas nunca marcava. Se tivesse reclamado todas as caixas de champanhe que ele ficou a dever-me ainda estava a beber a esta hora», conta.

O treinador italiano conta também como obrigava Van Basten a pressionar no momento certo. «Tinha de gritar pelo megafone mil vezes. Outras tantas vezes tinha de lhe fazer desenhos. Tinha de lhe explicar que, quando o nosso ataque terminava, ele não podia colocar-se de lado a descansar, tinha de assumir uma posição ativa, ficar pronto para receber um passe ou para perseguir uma bola. Quando a lição entrou-lhe na cabeça ele ganhou mais confiança no seu valor e tornou-se também num fenómeno a pressionar», destaca ainda Sacchi.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Mais Lidas