Cabeleireiros desta cidade arriscam-se a pagar 500 euros se lavarem o cabelo dos clientes duas vezes

CNN Portugal , FMC
29 jun, 10:36
Cabeleireiro

A medida insólita, que estará em vigor até ao final de setembro, visa o combate a uma das piores secas vividas no país nas últimas décadas

Numa pequena cidade italiana, Castenaso, perto de Bolonha, os cabeleireiros e barbeiros estão proibidos de lavar o cabelo dos clientes duas vezes. Esta é uma tentativa de conservar água, numa altura em que o país enfrenta uma das piores secas dos últimos 70 anos.

O presidente da Câmara da cidade, Carlo Gubellini, defende que essa prática - considerada benéfica pelos profissionais - é responsável pelo desperdício de milhares de litros de água por dia. De acordo com a diretriz emitida, "as duas lavagens clássicas excedem pelo menos 20 litros". "E na situação em que nos encontramos já não podemos pagar".

"Se multiplicarmos a quantidade de água utilizada para cada cliente, estamos a falar de milhares de litros por dia", disse Gubellini ao Corriere della Sera. "Castenaso é pequena: imagine o que significa em termos de consumo de água nas grandes cidades."

Castenaso, que pertence à região de Emilia-Romagna, tem cerca de 16 mil habitantes e, entre cabeleireiros e barbeiros, são dez os estabelecimentos afetados por esta ordem.

Em caso de incumprimento, a multa varia entre os 25 e os 500 euros, contudo "o objetivo é sensibilizar para o uso consciente, tentando minimizar o consumo". "Estamos num momento crítico, temos que arregaçar as mãos e prestar atenção em cada pequeno gesto”, explica o autarca.

Citado pelo The Guardian, contou ainda que a iniciativa recebeu um "feedback positivo", declarando que não pretende que tal seja visto como "opressivo", mas como uma forma de "empoderamento dos cidadãos". 

Todavia, nem todos concordaram: "Parece-me tudo um pouco ridículo", confessou Katia, cabeleireira no Nuova Equipe. "É difícil não poder lavar e enxaguar duas vezes, pois alguns dos produtos que usamos requerem-no, e assim como alguns tipos de cabelo, especialmente se o cabelo do cliente estiver bastante sujo", defendeu.

O presidente espera que a medida, em vigor até ao final de setembro, possa ser ajustada, mas alerta que "a situação é alarmante".

"A partir de julho, as coisas podem ficar drasticamente piores", afirmou.

Acredita-se que Gubellini seja o único a implementar esta medida. Contudo a seriedade da seca e da onda de calor sentidas no país já obrigou algumas regiões a declarar Estado de Emergência e aplicar certas regras. Milão, por exemplo, decidiu desligar as suas fontes decorativas. 

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