Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Pena de abutre fossilizada prova que rochas vulcânicas preservam tecidos animais

Agência Lusa , AM
19 mar 2025, 07:33
Uma fotografia que mostra como as cinzas vulcânicas de tonalidade cinza e branca estão incorporadas em rochas e sedimentos recentemente expostos no Lago Mead. Cortesia: Racheal Johnsen e Eugene Smith
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Boa preservação das estruturas das penas indica que a carcaça do abutre foi enterrada num depósito piroclástico de baixa temperatura

A análise de um abutre fóssil com 30.000 anos, descoberto no centro de Itália, revelou que as rochas vulcânicas ajudaram a preservar detalhes microscópicos nas penas do animal, o primeiro registo deste modo de preservação.

Uma equipa internacional, liderada por Valentina Rossi, investigadora da University College em Cork, na Irlanda, descobriu que os tecidos moles podem ser preservados quando um animal é enterrado em sedimentos vulcânicos ricos em cinzas.

De acordo com o estudo, publicado na terça-feira na revista Geology, as penas do abutre foram preservadas numa fase mineral chamada zeólito, um modo de preservação de tecidos moles anteriormente desconhecido.

Os autores acreditam que a descoberta deste novo modo de preservação de tecidos moles, potencialmente específico das rochas vulcânicas, indica que este tipo de depósitos pode conter fósseis importantes e bem preservados e deve, sugerem, ser objeto de mais investigação. 

O fóssil de abutre foi descoberto por um proprietário local em 1889, perto de Roma. O corpo estava tão bem conservado que se podia ver à primeira vista de que espécie de ave se tratava.

Todo o corpo foi preservado como uma impressão tridimensional, com pormenores finos como as pálpebras e as penas das asas.

Agora, o estudo deste fóssil revelou que a preservação das penas se estende às minúsculas estruturas microscópicas de pigmentos nelas existentes.

“As penas fósseis são normalmente preservadas em lamas antigas depositadas em lagos ou lagoas. O fóssil de abutre está preservado em depósitos de cinzas, o que é extremamente invulgar. Ao analisar a plumagem fóssil, estamos em território desconhecido. Estas penas não são nada parecidas com o que estamos habituados a ver noutros fósseis”, diz Rossi.

Ao analisarem pequenas amostras de penas fósseis com microscópios eletrónicos e testes químicos, descobriram que as penas tinham sido preservadas no mineral zeólito, um modo de preservação nunca antes descrito.

“As zeólitas são minerais ricos em silício e alumínio e são comuns em ambientes geológicos vulcânicos e hidrotermais”, explica Rossi.

“Podem formar-se como minerais primários (como belos cristais) ou secundariamente, durante a alteração natural do vidro vulcânico e das cinzas, dando à rocha um aspeto de rocha lamacenta”, acrescenta.

A alteração das cinzas pela água induziu a precipitação de nanocristais de zeólito, que por sua vez reproduziram as plumas até ao mais ínfimo pormenor celular.

A boa preservação das estruturas das penas indica que a carcaça do abutre foi enterrada num depósito piroclástico de baixa temperatura.

O coordenador do estudo, Dawid A. Iurino, da Universidade de Milão, explica que, embora “normalmente pensemos nos depósitos vulcânicos como estando associados a fluxos piroclásticos quentes e rápidos que destroem os tecidos moles”, os ambientes geológicos “são complexos e podem incluir depósitos de baixa temperatura que podem preservar os tecidos moles”.

“Nunca esperámos encontrar tecidos delicados, como penas, preservados em rochas vulcânicas, mas descobertas como esta alargam o leque de tipos de rocha em que podemos encontrar fósseis, mesmo aqueles que preservam tecidos moles frágeis”, acrescenta Maria McNamara da University College Cork.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Futuro

Mais Futuro