Amanda Knox condenada a três anos de prisão por difamação

CNN Portugal , MJC
5 jun, 11:38
Amanda Knox à chegada ao tribunal (AP)

A norte-americana, que foi condenada e depois inocentada pela morte da sua colega de quarto, Meredith Kercher, quando ambas estudavam na universidade em Perugia, em 2007, voltou a um tribunal italiano devido a uma acusação de difamação

Um tribunal italiano considerou esta quarta-feira a norte-americana Amanda Knox culpada de difamação, condenando-a a três anos de prisão num caso relacionado com o homicídio da sua colega de quarto em Perugia, em 2007. Knox foi condenada por ter acusado o dono de um bar congolês, Patrick Lumumba, de ter assassinado Meredith Kercher. A sentença não terá qualquer efeito prático, pois é abrangida pelo tempo que Knox já passou na prisão.

"Estava em estado de choque, sem casa e muito vulnerável, a falar uma língua que não entendia", disse Knox ao tribunal, visivelmente emocionada. "Quando escrevi isso, não me lembrava onde estava… estava sob muito stress."

Amanda Knox, a americana que passou quatro anos presa na Itália pelo homicídio da sua colega de quarto antes de ser inocentada do crime, em 2015, voltou a um tribunal italiano esta quarta-feira. Desta vez, Knox estava a tentar anular uma condenação por difamação por ter acusado falsamente o seu patrão de então, Patrick Lumumba, dono de um bar, de ser o responsável pela morte de Meredith Kercher, quando as duas eram estudantes na cidade italiana de Perugia.

O corpo de Kercher foi encontrado em 2 de novembro de 2007, com facadas no pescoço, no apartamento que ela dividia com Knox e mais duas raparigas italianas em Perugia. O caso foi bastante falado na altura e deu mesmo origem a um documentário na Netflix.

Lumumba foi preso pelo assassinato em novembro de 2007 juntamento com Knox e o seu então namorado Raffaele Sollecito, com base na confissão de Knox à polícia durante um interrogatório sem a presença de um advogado. Lumumba, da República Democrática do Congo, cumpriu quase duas semanas de prisão antes de a falta de provas ter levado à sua libertação.

Knox, Sollecito e Rudy Guede, natural da Costa do Marfim, cujo DNA estava presente na sala onde foi cometido o crime, foram todos condenados pelo homicídio em 2009.

Guede admitiu estar na casa com Kercher na noite em que esta morreu, mas negou tê-la matado. E disse que Knox e Sollecito também estavam lá. Guede cumpriu 13 anos de pena de 16 anos e foi libertado em 2021.

As condenações de Knox e Sollecito foram anuladas por um tribunal de apelação de Perugia em 2011, após uma revisão independente das principais provas forenses. Depois a absolvição foi anulada em 2013. Um tribunal de apelação florentino condenou a dupla novamente em 2014. Nessa altura, Knox estava de volta aos EUA e não compareceu ao julgamento. Knox e Sollecito foram definitivamente inocentadas em 2015 pelo Supremo Tribunal de Justiça de Itália.

Depois de ser inocentada do homicídio, Knox continuou condenada por difamação contra Lumumba, uma decisão mantida pelo Supremo Tribunal de Itália em 2015. Foi condenada a três anos de prisão, que cumpriu enquanto aguardava o julgamento original do homicídio e o subsequente recurso. Apresentou uma petição ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que decidiu em 2019 que os seus direitos humanos foram violados quando acusou Lumumba do homicídio porque não tinha um advogado presente, nem havia um tradutor aceitável durante o interrogatório que não foi filmado nem gravado . O tribunal decidiu que as circunstâncias “comprometiam a justiça do processo como um todo”.

O processo judicial europeu levou o Supremo Tribunal italiano a reabrir e depois anular a sua condenação por difamação em 2023 e a ordenar o novo julgamento - este que começou a 21 de abril e terminou hoje.

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