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Portugal formaliza reconhecimento do Estado da Palestina: "Esta decisão não é contra Israel. É a favor da paz"

21 set 2025, 20:05

 

 

Governo diz esperar que "Israel possa compreender esta posição", sublinhando que o reconhecimento do Estado da Palestina "não é feito nunca, em caso algum, contra Israel" mas sim "a favor da paz"

O Governo português formalizou este domingo o reconhecimento do Estado da Palestina, apesar das divisões na Aliança Democrática (AD) sobre a matéria, com o CDS, que integra o Governo de coligação com o PSD, a manifestar-se contra a decisão.

Numa declaração aos jornalistas, em Nova Iorque, na véspera da 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, esclarece que esta decisão "resulta diretamente da deliberação do Conselho de Ministros do passado dia 18, tomada no culminar de um procedimento de consultas em que se verificou a convergência do Presidente da República e de uma larguíssima maioria dos partidos com assento parlamentar".

Paulo Rangel ressalva que esta posição não coloca em causa o direito de Israel à sua existência, antes pelo contrário. "Precisamente porque Portugal preconiza a solução dos dois estados como a única via para uma paz justa e duradoura, que promova  a coexistência e convivência pacífica entre Israel e a Palestina, o Governo português reafirma, nesta ocasião, o direito do Estado de Israel à existência e Às suas efetivas necessidades de segurança, bem como a especial amizade dos povos portugueses e israelitas, condenando uma vez mais os atrozes terrorista de 7 de outubro, o Hamas e todas as organizações, terroristas ou não, que neguem a Israel o direito à sua existência."

O Governo insiste, por isso, na exigência de libertação dos reféns que continuam nas mãos do Hamas, "alguns dos quais nossos nacionais ou com ligações ao nosso país".

“Desejamos que Israel possa compreender esta nossa posição. Ela não é feita nunca, em caso algum contra Israel. É feita a favor da paz e do direito do povo palestiniano à autodeterminação”, declara.

Portugal segue-se assim ao Reino Unido, Canadá e Austrália - três fortes aliados de Israel há décadas -, que formalizaram o reconhecimento do Estado da Palestina esta manhã, tornando-se o 13.º país da União Europeia a fazê-lo. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, justifica a decisão como um esforço para “reavivar a paz entre os palestinianos e os israelitas” e para a solução de dois Estados.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, respondeu este domingo com um aviso: “Tenho uma mensagem clara para aqueles líderes que reconhecem o Estado da Palestina após o terrível massacre de 7 de outubro: estão a dar uma enorme recompensa ao terrorismo. E tenho outra mensagem para vocês: isso não vai acontecer. Não será criado um Estado palestiniano a oeste do rio Jordão.”

Além de Portugal, Reino Unido, Canadá e Austrália, outros países europeus, como França, Bélgica e Luxemburgo, preparam-se para formalizar o reconhecimento do Estado da Palestina. Todos acreditam que esta é uma forma de pressionar Israel e o povo palestiniano a negociar uma solução de dois Estados, que assenta na criação de um Estado palestiniano independente na Cisjordânia e em Gaza, com Jerusalém Oriental como capital. Tanto Israel como o Hamas rejeitam esta solução. 

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