Hospitais na Faixa de Gaza perto do colapso. Israel e Palestina podem ter chegado a acordo para cessar-fogo temporário

Beatriz Céu , (com Lusa)
7 ago, 14:41

A informação está a ser avançada pela agência Reuters e a emissora televisiva Al Jazeera

As autoridades de Israel e Palestina podem ter chegado a acordo para um cessar-fogo temporário na Faixa de Gaza a partir desta noite, tal como proposto pelo Egito, um intermediário histórico entre as duas partes beligerantes. A notícia está a ser avançada pela agência Reuters e pela Al Jazeera, que citam fonte dos serviços de segurança egípcios, mas os porta-vozes de Israel e da Jihad Islâmica, a fação que tem estado a combater em Gaza desde a eclosão do conflito na sexta-feira, não confirmam a informação, afirmando apenas que estão em contacto com o Egito.

Fonte dos serviços de segurança egípcios adiantou à Reuters que Israel aceitou a proposta do Cairo para uma trégua na região, numa altura em que o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza estima a interrupção dos serviços dos hospitais dentro de 48 horas, por falta de eletricidade, na sequência do bloqueio israelita da entrada de combustível no enclave palestino.

“Em 48 horas, os serviços de saúde vão parar, após a interrupção da operação da central elétrico e o esgotamento de combustível nos geradores dos hospitais”, revelou o ministério, em comunicado.

O acordo surge depois de três dias de ataques entre os dois países, que tiveram início com o que foi classificado por Israel como uma "ofensiva preventiva" com ataques aéreos na Faixa de Gaza, em plena luz do dia, e que pôs fim a um ano e meio de paz relativa. Em resposta, os palestinianos lançaram quase 200 rockets para o outro lado da fronteira, contra o centro de Israel e Tel Aviv. Foi assim que as duas partes se envolveram numa escalada de violência que atingiu mesmo o pico mais grave na região desde 2021.

Perante a escalada de tensões, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, garantiu, num discurso à nação, que estava a trabalhar "incansavelmente" para restaurar a paz na região. Mas os ataques mantiveram-se ao longo de todo o fim de semana e provocaram pelo menos 32 mortes, de acordo com a mais recente atualização do Ministério da Saúde do enclave palestiniano.

Entretanto, as Forças de Defesa de Israel anunciaram que mataram dois líderes da Jihad Islâmica Palestiniana - Jaled Mansul e Tayseer al-Jabari. 

Os confrontos continuam este domingo com ataques incessantes em ambas as direções, incluindo vários lançamentos de mísseis de Gaza contra comunidades israelitas perto da fronteira e vários bombardeamentos do Exército do Estado Judeu, contra alvos suspeitos de pertencer à Jihad Islâmica.

As passagens de fronteira com Israel, incluindo a de Kerem Shalom, por onde o combustível entra, estão fechadas desde terça-feira, antes mesmo do início das hostilidades.

Após a interrupção da operação da central elétrica, no sábado, os mais de dois milhões de pessoas que vivem na sobrelotada Faixa de Gaza têm apenas quatro horas de eletricidade por dia.

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