Na 5.ª Coluna, o comentador da TVI analisou o incidente com o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que se filmou a provocar ativistas pró-Palestina detidos por Israel em águas internacionais
Miguel Sousa Tavares criticou esta quinta-feira a “hipocrisia” dos governos europeus por só agora condenarem mais veementemente o Estado de Israel.
Na 5.ª Coluna, o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) analisou o incidente com o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que se filmou a provocar ativistas pró-Palestina detidos por Israel em águas internacionais.
“Eles já sabiam que Ben-Gvir, o ministro da Segurança [Nacional], pensa isto. Já sabiam que há muitos mais políticos no governo de Netanyahu, incluindo o próprio primeiro-ministro, que pensam isto. Viram-nos atuar em função disto. O problema é que isto teve uma repercussão tão grande que os governos não puderam fingir que desta vez não tinham percebido. Eles não estavam em Gaza para ver tudo o que aconteceu, mas agora viram, não é?”, disse Sousa Tavares.
O comentador da TVI mencionou mesmo a reação do ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, à atuação do seu colega do governo. Saar afirmou que Ben-Gvir “causou deliberadamente prejuízos ao nosso Estado com esta atitude vergonhosa” e "desfez os enormes esforços, profissionais e bem-sucedidos, envidados por tantas pessoas — desde soldados das IDF até ao pessoal do Ministério dos Negócios Estrangeiros e muitos outros".
“Israel, quando é criticado, tem uma resposta muito fácil: é antissemitismo. É preciso distinguir o que são as críticas justas e legítimas à atuação do governo de Israel e o que é um antissemitismo, uma coisa que deve ser combatida, que é o ódio aos judeus. É completamente diferente. Israel gosta de confundir porque é mais fácil confundir”, considerou o comentador.
“Ninguém mais do que este governo de Israel tem contribuído para esta onda de antissemitismo, não só com isto, mas com tudo o resto. São os 70 mil mortos em Gaza, os hospitais bombardeados, os 200 jornalistas mortos em tendas e tudo, são os quatro mil mortos desde que está em vigor uma coisa chamada cessar-fogo no Líbano, os ataques dos colonos na Cisjordânia sobre palestinianos, e um sistema de apartheid montado com a cumplicidade não apenas do governo, mas dos próprios tribunais”, justificou Sousa Tavares.
Sousa Tavares espera ainda que o governo português defenda a suspensão do acordo comercial entre a União Europeia e Israel no Conselho Europeu. “Espero que ele (primeiro-ministro) faça mesmo isto no Conselho Europeu, que não seja só um discurso para aqui”, concluiu.
