O acordo surge depois de o governo israelita ter ameaçado intensificar as suas ações no Líbano, uma medida que ameaçava inviabilizar as negociações entre os EUA e o Irão
Israel e Líbano concordaram em renovar o seu frágil cessar-fogo e criar uma série de zonas de segurança "piloto" dentro do Líbano, nas quais os agentes do Hezbollah serão proibidos de entrar, anunciou o Departamento de Estado norte-americano.
Uma declaração conjunta, assinada pelos governos de Israel e do Líbano, afirma que o acordo está "condicionado à cessação completa" dos ataques do grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irão, e à retirada de todos os seus membros do sul do Líbano, segundo um comunicado conjunto divulgado após a última ronda de negociações mediadas pelos EUA, na quarta-feira.
O acordo surge depois de o governo israelita ter ameaçado intensificar as suas ações no Líbano, uma medida que ameaçava inviabilizar as negociações entre os EUA e o Irão. O cessar-fogo em curso tem sido alvo de repetidas violações, com Israel e o Hezbollah a trocarem ataques.
Isto foi o que Israel e Líbano concordaram:
- Israel e Líbano “concordaram em retomar as discussões políticas e de segurança na semana de 22 de junho, com vista a alcançar um acordo abrangente”, refere o comunicado conjunto, referindo que os EUA “concordaram em continuar a facilitar a comunicação entre as partes entretanto”. O comunicado afirma ainda que os dois lados concordaram em "avançar rapidamente na criação de zonas piloto nas quais as Forças Armadas libanesas assumirão o controlo exclusivo do território, excluindo todos os intervenientes não estatais", mas não estabelece um calendário para estas zonas piloto.
- "Israel reafirmou que a sua segurança e o respeito pela sua integridade territorial só podem ser alcançados através do desarmamento do Hezbollah e do desmantelamento das suas infraestruturas em todo o Líbano", lê-se ainda na declaração conjunta.
- Os EUA "realçaram a sua intenção de apoiar as Forças Armadas libanesas, com o objetivo de melhorar a sua capacidade e permitir o exercício efetivo da soberania em todo o território libanês", refere a declaração.
Este acordo seguiu-se a um cessar-fogo parcial anunciado na segunda-feira, que, segundo o Líbano, prevê que Israel se abstenha de bombardear a capital libanesa, Beirute, em troca de o Hezbollah não atacar Israel.
O acordo foi assinado entre os governos do Líbano e de Israel. Os combates têm decorrido entre o Hezbollah e Israel; o exército libanês não faz parte do conflito. No entanto, o governo libanês tem negociado com Israel sem a participação do Hezbollah, como parte do seu esforço para reafirmar o controlo do governo sobre o país e desarmar o grupo armado.
O acordo foi anunciado em Washington na quarta-feira, depois de ataques israelitas terem feito pelo menos nove mortos no sul do Líbano e de o Hezbollah ter disparado rockets contra o norte de Israel. Os meios de comunicação estatais libaneses informaram que os ataques israelitas continuaram no sul do Líbano esta quinta-feira, com pelo menos um ataque a causar vítimas.
Entretanto, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, classificou o acordo como um "grave erro", alegando que vai permitir ao Hezbollah "fortalecer-se".
O Hezbollah, uma milícia xiita, partido político e movimento social, é o grupo mais poderoso do Líbano. Com o apoio do Irão, construiu uma força armada mais forte do que o exército libanês e travou uma série de conflitos com Israel. O Hezbollah é considerado uma organização terrorista por Israel e por muitos outros países, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos.
O Líbano foi arrastado para a guerra entre os EUA, Israel e Irão a 2 de Março, quando o Hezbollah lançou rockets contra Israel em retaliação por um ataque israelita que matou o líder supremo do Irão. Israel respondeu com uma campanha aérea em todo o Líbano e uma invasão terrestre no Sul.
Um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Líbano, a 16 de abril, não conseguiu interromper os combates e, na semana passada, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou aos militares israelitas que intensificassem os seus ataques contra o Hezbollah e avançassem mais no Líbano em resposta aos ataques com drones e rockets contra as comunidades no norte de Israel.
Pelo menos 3.516 pessoas, entre militares e civis, foram mortas no Líbano desde o início da guerra, segundo o Ministério da Saúde do país.
