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251 reféns, 466 dias de ataques, mais de 46 mil mortos em Gaza: os números do conflito entre Israel e o Hamas

16 jan 2025, 07:00
Faixa de Gaza

Quase 40% das vítimas mortais no território palestiniano são crianças. O Hamas tem ainda na sua posse 94 reféns, apenas 60 dos quais estão vivos

Ao 466.º dia, Israel e o Hamas chegaram finalmente a acordo para pôr termo ao conflito que se arrastava desde 7 de outubro de 2023, quando milhares de militantes do grupo terrorista palestiniano atacaram várias comunidades israelitas e um festival de música perto da fronteira com a Faixa de Gaza.

Nesse dia, foram mortas, de acordo com dados israelitas, 1.175 pessoas. Destas, 796 eram civis e 379 eram membros das forças de segurança. Entre os 796 civis estavam 36 crianças e 71 estrangeiros.

Durante o ataque, o Hamas raptou centenas de pessoas e conseguiu levar para a Faixa de Gaza 251 reféns, incluindo 32 cidadãos tailandeses, dois filipinos e duas pessoas naturais da Tanzânia.

Ao longo destes 466 dias, 109 reféns foram libertados pelo Hamas em trocas de prisioneiros e oito foram resgatados pelas forças israelitas que invadiram Gaza. Três conseguiram fugir, mas acabaram mortos por soldados israelitas, que os confundiram com uma ameaça à sua segurança.

40 reféns foram devolvidos a Israel já mortos. De momento, estão ainda na Faixa de Gaza 94 reféns, 60 vivos e 34 mortos.

Após o ataque de 7 de outubro, Israel desencadeou uma violenta operação militar na Faixa de Gaza. De acordo com dados das autoridades palestinianas, atualizados esta quarta-feira, os ataques israelitas mataram 46.707 pessoas, incluindo 17.492 crianças. Os bombardeamentos israelitas provocaram ainda 110.265 feridos e 11.160 desaparecidos. Número de vítimas que será muito inferior ao real, de acordo com um estudo britânico.

O conflito provocou 1.900.000 deslocados, a quase totalidade da população da Faixa de Gaza, e os ataques não pouparam membros das organizações internacionais. Segundo a UNRWA, 265 funcionários da organização foram mortos desde 7 de outubro.

As hostilidades tiraram também a vida a 217 jornalistas palestinianos e a dois jornalistas israelitas.

Os números da fome também impressionam. De acordo com a ONU, mais de 96% das crianças com menos de dois anos e das mulheres em Gaza não estavam a receber os nutrientes necessários. Dos cerca de dois milhões dos habitantes de Gaza, 876.000 pessoas enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar e 345.000 pessoas estão deparadas com uma escassez alimentar catastrófica.

O prejuízo material na Faixa de Gaza é quase incalculável. Segundo a Al Jazeera, a quase totalidade das casas neste território estão destruídas ou danificadas. Cerca de 80% dos estabelecimentos comerciais e 88% dos edifícios escolares foram atingidos. 68% das estradas e mais de dois terços dos terrenos de cultivo também foram destruídos.

Os estabelecimentos de saúde da Faixa de Gaza também foram muito massacrados e, atualmente, apenas metade está a funcionar e de forma parcial. Ao longo de mais de um ano de conflito, 80% do território de Gaza esteve sob ordens de evacuação.

Do lado israelita, contabilizam-se 405 soldados mortos e 8.730 feridos desde o início da invasão à Faixa de Gaza.

Toda a destruição e morte não passou despercebida ao Tribunal Penal Internacional, que emitiu mandados de detenção para três dos principais protagonistas: Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, Yoav Gallant, ex-ministro da Defesa de Israel, e Mohammed Deif, líder militar do Hamas.

Os números do acordo de cessar-fogo

O acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas entrará em vigor este domingo e terá um período inicial de seis semanas de total pausa dos combates na Faixa de Gaza, indicou uma fonte informada das negociações à Reuters.

Como parte do acordo, escreve a agência, o Hamas comprometeu-se a libertar 33 reféns, incluindo todas as mulheres, civis ou militares, crianças e homens com idade superior a 50 anos. O grupo palestiniano vai primeiro libertar as mulheres e os menores, e só depois os homens com mais de 50 anos.

Os reféns serão libertados ao longo da fase inicial de cessar-fogo de seis semanas, com três reféns a serem libertados por semana e os restantes até ao fim desta fase inicial. Os reféns vivos serão libertados primeiro, com alguns corpos de reféns mortos a serem entregues posteriormente.

O lado israelita, por seu turno, comprometeu-se a libertar 30 palestinianos por cada civil israelita libertado pelo Hamas, e 50 palestinianos por cada soldado israelita libertado.

O governo israelita compromete-se também a libertar todas as mulheres e pessoas com menos de 19 anos detidas desde 7 de outubro de 2023 até ao final da primeira fase do acordo.

No total, Israel deverá libertar entre 990 e 1.650 detidos palestinianos, avança a Reuters.

A implementação do acordo ficará a cargo de Catar, Egito e EUA.

A Al Jazeera também avançou com outros detalhes. Segundo o canal árabe, Israel vai permitir que pessoas feridas possam sair da Faixa de Gaza para receber tratamento noutros locais. Quanto às fronteiras, Israel vai abrir a passagem de Rafah ao sétimo dia da primeira fase, e irá começar a retirar-se da fronteira entre o Egito e Gaza, conhecida como Corredor de Filadélfia, para abandonar completamente o local mais tarde.

As negociações para a segunda fase do acordo deverão começar ao 16.º dia da primeira fase. Espera-se que esta fase contemple a libertação dos homens feitos reféns pelo Hamas, incluindo soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF).

A terceira fase, escreve a Reuters, deverá incluir a devolução de todos os corpos dos reféns do Hamas mortos durante o cativeiro e o início da reconstrução da Faixa de Gaza, processo que será supervisionado por Catar, Egito e Nações Unidas.

De acordo com o primeiro-ministro catari, Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani, os mediadores passaram 411 dias a discutir os pormenores do cessar-fogo.

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