No último momento, a diplomacia impediu o ministro da Defesa israelita de forçar Greta Thunberg e ativistas a verem um filme dos ataques de 7 de Outubro

10 jun 2025, 19:45

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita terá impedido o ministro da Defesa de concretizar uma medida polémica: obrigar Greta Thunberg e outros ativistas pró-palestinianos detidos a assistir a um filme com imagens gráficas dos ataques do Hamas. A bordo do Madleen, os ativistas navegavam rumo a Gaza quando foram intercetados pela marinha israelita

Foi um braço de ferro dentro do governo israelita — e venceu a diplomacia. Segundo a estação de televisão israelita Channel 12, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar, travou uma iniciativa do ministro da Defesa, Israel Katz, que pretendia forçar Greta Thunberg e outros 11 ativistas internacionais a assistir a um filme de 43 minutos com imagens dos ataques de 7 de Outubro de 2023, quando o Hamas invadiu o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo 251 reféns.

Os ativistas integravam a tripulação do Madleen, uma embarcação que tentava furar o bloqueio marítimo a Gaza com declaradas intenções humanitárias, mas que foi intercetada ao largo (em água internacionais e não israelitas) por forças navais de Israel. A bordo seguiam vários cidadãos europeus, incluindo a conhecida ativista sueca Greta Thunberg. O grupo foi detido ao chegar ao porto israelita de Ashdod.

Israel Katz justificou a medida como uma forma de confrontar o grupo com “a realidade que Israel enfrentou” no dia 7 de Outubro — acusando-os de desconhecerem ou ignorarem o massacre que motivou a atual ofensiva militar em Gaza. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros considerou que a ação, além de forçada, podia gerar um incidente diplomático com países europeus (e não só) e comprometer a gestão até então considerada eficaz da interceção do Madleen.

O filme em causa, produzido pelo gabinete do porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), inclui imagens não censuradas captadas por câmaras corporais dos próprios atacantes — mostrando execuções, mutilações e momentos de terror vividos por civis israelitas.

Ainda assim, os ativistas foram conduzidos a uma sala, onde o vídeo começou a ser reproduzido. Antes que as imagens se desenrolassem, foram questionados sobre se queriam assistir. Todos recusaram. A projeção foi então imediatamente interrompida, indica o mesmo canal.

Após alguns dias de detenção e interrogatórios, a maioria dos ativistas foi repatriada para os respetivos países de origem, entre eles Suécia, França, Alemanha, Espanha e Países Baixos. As autoridades israelitas não avançaram com acusações formais, mas mantiveram a firmeza na defesa da interceção do navio, argumentando que qualquer tentativa de quebrar o bloqueio a Gaza, ainda que com pretextos humanitários, “favorece os interesses do Hamas”.

Relacionados

Mundo

Mais Mundo