“Voltámos a casa”. Ministros da extrema-direita que sustentam Netanyahu marcham até Gaza para exigir o regresso dos colonatos

19 jul, 21:30
Ativistas da extrema-direita israelita concentram-se junto à fronteira com Gaza e tentam atravessá-la. Os participantes defenderam o restabelecimento das antigas comunidades israelitas de Nisanit, Dugit e Elei Sinai, na Faixa de Gaza. A manifestação decorreu durante o período de luto judaico conhecido como as Três Semanas, antes do aniversário da retirada israelita de Gaza, em 2005.
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A iniciativa reuniu figuras dos partidos mais duros da coligação israelita e voltou a colocar no centro do debate o regresso dos colonatos retirados em 2005. A mobilização ocorreu enquanto prosseguem os ataques em Gaza, onde o número de mortos palestinianos continua a aumentar

Milhares de ativistas pró-colonatos caminharam este domingo em direção à fronteira da Faixa de Gaza, acompanhados por ministros e deputados da extrema-direita que integram e sustentam o Governo de Benjamin Netanyahu.

Entre bandeiras israelitas e famílias com crianças, exigiram a reconstrução dos colonatos judaicos desmantelados por Israel no enclave em 2005.

Nesse ano, o Governo de Ariel Sharon retirou cerca de 8.500 colonos dos 21 colonatos israelitas na Faixa de Gaza e as forças militares que permaneciam no interior do território. A retirada foi unilateral, sem um acordo com os palestinianos, e apresentada por Ariel Sharon como uma forma de reduzir o terrorismo, reforçar a segurança de Israel e melhorar a situação política, económica e demográfica do país.

A manifestação partiu em direção à praia de Zikim e terminou num miradouro sobre o norte de Gaza, de onde os participantes podiam ver a zona onde existiram os colonatos de Elei Sinai, Dugit e Nisanit.

O exército tinha declarado a área junto à fronteira zona militar fechada e os organizadores acabaram por aceitar não entrar no enclave, embora alguns manifestantes tenham conseguido aproximar-se da vedação.

Entre os participantes encontravam-se os ministros de extrema-direita Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, além de Nir Barkat, Shlomo Karhi, May Golan e Amichai Eliyahu.

Itamar Ben-Gvir e Amichai Eliyahu pertencem ao Otzma Yehudit, um partido ultranacionalista da extrema-direita que defende a soberania israelita sobre a Cisjordânia. Bezalel Smotrich lidera o Partido Sionismo Religioso, também de extrema-direita, ligado ao movimento dos colonos e defensor da expansão dos colonatos. Nir Barkat, Shlomo Karhi e May Golan representam o Likud, o partido nacionalista de direita liderado por Benjamin Netanyahu.

Benjamin Netanyahu lidera uma coligação dependente dos partidos da extrema-direita, cujos ministros voltaram este domingo a defender a reconstrução de colonatos na Faixa de Gaza. Foto: Associated Press

O movimento Nachala, responsável pela marcha, anunciou a presença de 28 membros do Governo e do parlamento, acompanhados por combatentes, feridos de guerra e familiares de militares mortos.

“Estamos a trabalhar arduamente para podermos voltar a povoar Gaza”, afirmou Bezalel Smotrich durante a marcha, numa declaração reproduzida pelo portal noticioso israelita Walla. O deputado Avichay Buaron, do Likud de Netanyahu, explicou ao portal israelita Ynet a mensagem política da manifestação: “Temos de voltar a povoar o norte da Faixa de Gaza. O que conduziu ao 7 de Outubro foi o facto de não estarmos lá”.

Os organizadores querem que os três antigos colonatos do norte sejam reconstruídos de imediato. “Com a ajuda de Deus, em breve poderemos estabelecer os primeiros colonatos na Faixa de Gaza”, anunciou o Nachala num comunicado, que apresentou a mobilização como o início de um “processo histórico”.

Para a ministra May Golan, a fórmula cabe em três palavras, divulgadas num vídeo de apoio à marcha publicado pelo movimento Nachala nas redes sociais. “Colonização é segurança.”

O ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, participou na marcha que exigiu o regresso dos colonatos israelitas à Faixa de Gaza.Foto: Eyal Warshavsky/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O Nachala é um movimento de colonos da direita radical que há décadas promove a expansão israelita nos territórios palestinianos e que foi sancionado pela União Europeia por graves violações dos direitos dos palestinianos na Cisjordânia. A sua dirigente, Daniella Weiss, enfrenta também sanções britânicas e canadianas.

A organização encontrou agora aliados dentro do próprio executivo israelita, numa coligação em que Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich representam a ala mais dura e da qual Benjamin Netanyahu depende para conservar o poder.

Enquanto a marcha decorria, ataques israelitas mataram três pessoas na Faixa de Gaza este domingo. No sábado tinham morrido outras 10, entre as quais três menores, segundo autoridades de saúde palestinianas.

O Ministério da Saúde de Gaza contabiliza 73.110 mortos desde o 7 de Outubro de 2023, números citados pelas Nações Unidas. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, a 10 de outubro de 2025, pelo menos 1.123 palestinianos morreram e 3.616 ficaram feridos.

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