"Os portugueses detidos na flotilha estão com saúde, assinaram o documento de extradição": entrevista ao embaixador de Israel em Portugal (na íntegra)

CNN Portugal , BCE
3 out 2025, 14:49

Sobre a flotilha, Oren Rosenblat diz assim: "Não é uma flotilha humanitária, é uma flotilha publicitária"

O embaixador israelita em Portugal anunciou que os quatro portugueses detidos na flotilha que seguia para Gaza assinaram um documento para deixarem o Estado de Israel, pelo que não há necessidade de ir a julgamento.

Em entrevista à CNN Portugal, o embaixador Oren Rosenblat adiantou que os ativistas da delegação portuguesa, que inclui a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, que foi detida na flotilha que seguia para a Faixa de Gaza, "assinaram [um documento a declarar] que querem sair de Israel".

"Eles não precisam de ir para tribunal e vão sair em breve", acrescentou, escusando-se a indicar uma data concreta para o regresso dos ativistas mas assegurando que "estão em segurança e com saúde".

O embaixador israelita não quis comentar as declarações do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, que classificou hoje como “terroristas” os ativistas da Flotilha Global Sumud, durante uma visita ao porto israelita de Ashdod, onde ainda permanecem, sublinhando apenas que "o ministro não é o porta-voz do governo de Israel".

"Eu não quero falar sobre essas palavras", respondeu, antes de acrescentar: "Para nós, eles tentaram entrar na Faixa de Gaza de forma ilegal."

Oren Rosenblat afirmou ainda que a flotilha intercetada "não é uma flotilha humanitária, é uma flotilha publicitária". "Não há quase nada de ajuda humanitária nestes barcos", denunciou.

As forças israelitas intercetaram na noite de quarta-feira para quinta-feira a Flotilha Global Sumud, com cerca de 50 embarcações, que se dirigia à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária, detendo os participantes, incluindo quatro cidadãos portugueses: a líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves.

Também foram detidos 30 espanhóis, 22 italianos, 21 turcos, 12 malaios, 11 tunisinos, 11 brasileiros e 10 franceses, bem como cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, México e Colômbia, entre muitos outros – os organizadores denunciaram a falta de informação sobre o paradeiro de 443 participantes da missão humanitária.

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