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Paulo Portas critica Marcelo por não ter ido a Moçambique: "Portugal deveria lá ter estado ao nível de chefe de Estado"

19 jan 2025, 22:37

"Estas trocas de reféns e tréguas podiam ter sido feitas em maio e em outubro. Netanyahu não o quis dar esse trunfo a Biden"

"Olhem para mim, tenham medo de mim": Paulo Portas antecipa o discurso de Donald Trump

"Foi uma comédia": Paulo Portas critica a postura de Trump relativamente ao TikTok

"Os políticos estão a tremer de medo das redes sociais": Paulo Portas reflete sobre o poder dos líderes tecnológicos

Portas critica Marcelo por não ter ido a Moçambique: "Portugal deveria lá ter estado ao nível de chefe de Estado"

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No seu espaço semanal de comentário no Jornal Nacional da TVI, Portas comenta a situação em Gaza e antecipa o que Trump vai fazer quando tomar posse como presidente dos EUA. Mas a sua maior indignação é sobre a "comédia" em que se transformou a suspensão do TikTok

Daniel Chapo tomou posse como presidente de Moçambique e Paulo Portas deixa um recado a Marcelo Rebelo de Sousa, que não esteve presente, invocando motivos de segurança, tendo enviado em sua representação o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel: "Estava lá o presidente da África do Sul, razão pela qual os portugueses deviam perceber que devia lá ter estado o presidente de Portugal. Estava lá o primeiro-ministro do Ruanda, razão pela qual Portugal, que tem cooperação militar, deveria lá ter estado ao nível de chefe de Estado."

"Eu olharia com atenção ao que aí vem", avisa Portas sobre o futuro de Moçambique.

TikTik: "Foi uma comédia"

"Foi uma comédia!", é assim que Paulo Portas define o que se passou com o TikTok, que esteve 13 horas "apagado" nos Estados Unidos, mas que agora já está a ser reativado, depois de Donald Trump, que toma posse segunda-feira, ter anunciado que vai permitir que a rede social seja em parte comprada por uma empresa americana. "Vai tudo continuar como era e, na volta, ele vai vender 50% a Musk e 50% à China. Musk está-se nas tintas para a saúde mental de quem quer que seja mas quer o dinheiro, a China está-se nas tintas para o dinheiro mas quer os efeitos na saude mental dos ocidentais."

No seu espaço semanal de comentário no Jornal Nacional da TVI, "Global", Paulo Portas recorda que os jovens americanos passam mais de duas horas por dia só no TikTok e mostra a sua indignação pelo facto de Trump "estar a fazer concessões quando 80% do Congresso americano e o Supremo Tribunal de justiça decidem que há um risco de manipulação das consciências dos mais novos e dos adolescentes". "Trump transformou um assunto sério numa comédia", conclui.

Joe Biden também alertou para o poder crescente das empresas de tecnologia. "Os líderes tecnológicos nunca ganharam tanto dinheiro como no mandato de Biden e todos eles eram democratas quando Biden não se preocupava muito com o assunto", comenta Portas, explicando que "Musk, Bezos, Zuckerberg e outros" estão a acumular poder económico e financeiro, mas também poder social - "e aqui é que está a grande diferença, porque como manipulam o algoritmo manipulam as consciências daqueles que são eleitores hoje e futuros, e isso deu-lhes poder político porque os políticos estão, infelizmente, a tremer de medo das redes sociais, perderam qualquer espécie de independência, deixam-se manipular por campanhas organizadas".

"Olhem para mim, tenham medo de mim"

Olhando para a fotografia oficial de Donald Trump, Paulo Portas vê um "político muito mais ameaçador" do que em 2017, que parece estar a dizer: "Olhem para mim, tenham medo de mim".

Aparentemente, Trump terá mais de uma dezena de ordens executivas preparadas para assinar assim que tomar posse. Paulo Portas diz estar curioso sobre o que o novo presidente dos EUA vai dizer sobre tarifas, deportações, acordos comerciais com o México e o Canadá, mas também sobre politica externa - Ucrânia, NATO, China e Médio Oriente. "Eu diria que, olhando para as subtilezas do que aconteceu desde o dia da eleição, ele tenderá a ter uma atitude transacional com a China, o que é diferente de ser confrontacional. O que é que a China quer de Trump? Obviamente Taiwan. O que é que Trump quer da China: ganhar tempo para evitar a competitividade tecnológica da China."

Neste "Global" Paulo Portas comenta ainda a situação no Irão, a economia na Europa (sobretudo na Alemanha) e o futuro político em França. E não poderia deixar de comentar o tema do dia: o cessar-fogo em Gaza. "São tréguas, não é um acordo de paz, mas não é sequer possível pensar num acordo de paz sem que estas tréguas corram bem", afirma sobre o acordo entre Israel e o Hamas. O comentador acredita que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu podria ter assinado este acordo antes: "As trocas de reféns podiam ter sido feitas em maio e em outubro. Netanyahu não o quis fazer para nao dar esse trunfo a Biden. Foram razões puramente políticas".

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