MUNDIAL 2026

Saiba tudo aqui
Mais sobre o Mundial 2026

EUA querem reforçar integração militar com Israel "de uma forma que seja impossível de erradicar"

CNN Portugal , JAV
31 mai, 10:54
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Getty Images
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

É o que defende um ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA sobre uma cláusula contida na proposta de lei de Defesa para 2027, que vai ser analisada pelo Comité de Serviços Armados da Câmara dos Representantes já em junho, antes de avançar para aprovação na Câmara e no Senado

Uma disposição contida num projeto de lei que está em tramitação no Congresso dos Estados Unidos pretende estreitar ainda mais os laços entre as forças armadas norte-americanas e israelitas, aprofundando a cooperação em matéria de investigação, produção e tecnologia de armamento.

A proposta, intitulada Iniciativa de Cooperação em Tecnologia de Defesa Estados Unidos-Israel, consta da Seção 224 da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o ano fiscal de 2027, o projeto de lei anual de política de defesa dos EUA, que vai ser analisado já em junho pelo Comité de Serviços Armados da Câmara dos Representantes.

A medida ainda está em fase inicial. A NDAA é aprovada pelo Congresso todos os anos para definir a política militar dos EUA e autorizar programas de defesa e níveis de despesa militar.

Após ser analisado por aquele comité, o projeto de lei seguirá para votação na Câmara dos Representantes e no Senado. Se promulgada, a cláusula poderá marcar uma mudança significativa naquela que já corresponde a uma das relações militares mais estreitas do mundo, transformando a parceria entre EUA e Israel, até hoje centrada principalmente na ajuda militar americana, numa parceria sob a qual as suas indústrias de defesa estarão profundamente interligadas.

Sob a Seção 224, o secretário de Defesa dos EUA será forçado a nomear um "agente executivo", um único funcionário para coordenar a cooperação militar entre EUA e Israel – com o trabalho a abranger investigação e desenvolvimento conjuntos, a produção compartilhada de armas e a interligação de sistemas de defesa e dados militares.

“O que o Congresso está a tentar fazer agora é encontrar maneiras diferentes de consolidar o relacionamento na própria base industrial de defesa dos Estados Unidos de uma forma tão profunda que seja impossível de erradicar”, diz Josh Paul, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA e fundador do grupo de defesa A New Policy, sobre a controversa disposição.

“Uma nova seção da Lei de Autorização de Defesa Nacional daria a Israel acesso sem precedentes à tecnologia americana e forçaria os militares dos Estados Unidos a integrar tecnologias de defesa israelitas na nossa própria cadeia de abastecimentos militares crítica, dando a Israel uma influência incrível sobre as próprias prioridades de defesa dos Estados Unidos”, acrescentou num vídeo publicado nas redes sociais na sexta-feira.

Os dois países já construíram sistemas de defesa antimísseis juntos, como o Iron Dome, ou Cúpula de Ferro, e sob a proposta de lei alargariam o seu trabalho conjunto a muitas outras áreas da guerra moderna, desde o recurso à Inteligência Artificial (IA) até drones e operações cibernéticas.

Proposto por Mike Rogers, o republicano que preside ao comité de serviços armados da Câmara, e pelo democrata Adam Smith, o projeto-lei surge no contexto das guerras em curso no Médio Oriente que têm envolvido operações e ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão e o Líbano, e perante acusações de genocídio e crimes de guerra na Faixa de Gaza desde outubro de 2023.

Apesar de ser patrocinado por legisladores dos dois partidos, sondagens recentes levadas a cabo nos EUA mostram uma crescente oposição da maioria dos eleitores democratas e de uma parte do eleitorado republicano ao aumento do apoio norte-americano a Israel.

Desde 2008, a lei americana exige que Washington proteja a "vantagem militar qualitativa" de Israel, mantendo as suas forças mais fortes e avançadas do que as de qualquer rival na região, sob o argumento de que um país pequeno deve ter armas melhores em vez de um número maior de soldados.

Sob esse acordo de ajuda, que foi implementado pela administração de Barack Obama, Washington fornece a Israel cerca de 3,8 mil milhões de dólares (3,26 mil milhões de euros) por ano em assistência militar. O acordo tem um prazo de dez anos, que terminará em 2028.

Recentemente, o atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que deseja acabar com a dependência israelita da ajuda militar dos EUA na próxima década, tendo declarado que o país “atingiu a maioridade”. Uma cooperação mais estreita nas indústrias de defesa em vez de apoio financeiro parece enquadrar-se nesse objetivo.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Médio Oriente

Mais Médio Oriente