Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, acusa o Governo português de "premiar o terrorismo" e volta a negar a existência de fome em Gaza, algo que um dos maiores apoiantes do Governo israelita, Donald Trump, comentou desta maneira: "Há fome em Gaza, não dá para fingir", disse o presidente dos EUA, que atribuiu responsabilidades disso a Israel, além de o fazer também ao Hamas. Ainda sobre a fome, o embaixador afirma assim: "Esta é a primeira situação humanitária de fome em toda a história do mundo em que só crianças sofrem e adultos não sofrem". E diz que Israel não vai permitir que os jornalistas falem com palestinianos em Gaza: "Nós não permitimos no passado e nós não vamos permitir no futuro"
Portugal anunciou a intenção de vir a reconhecer o Estado da Palestina, mediante várias condições exigidas à Autoridade Nacional Palestiniana. Qual é a sua posição perante este anúncio?
Acho que o Governo português é um governo sério, tem condições para reconhecer o Estado da Palestina. Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse quinta-feira que estas condições são que o Hamas vai libertar todos os reféns, que o Hamas vai desmilitarizar-se. Isso é o fim da guerra. Nós vamos terminar esta guerra para estas duas condições e também o Governo disse que a Autoridade Palestina vai reconhecer o Estado de Israel, o Estado judaico, e também que a Autoridade Palestina vai fazer reformas e vai fazer eleições. E nós vamos esperar que estas condições sejam cumpridas para a Autoridade Palestiniana. É importante também saber que a Autoridade Palestiniana há 20 anos que não faz eleições, mas durante estes anos a Autoridade Palestiniana disse muitas vezes que eles vão fazer eleições e agora também eles falam que vão fazer eleições no ano 2026. As palavras são grátis, eles precisam de fazê-las.
Mas se estas condições forem cumpridas por parte da Autoridade Palestina e se a Palestina vier a ser reconhecida como um Estado por parte de Portugal e outros países, Israel também vai reconhecer o Estado da Palestina?
Nós pensamos que essa decisão do Governo português, também com todas estas eleições, é um erro porque agora é tempo de guerra. Precisamos lembrar que os terroristas do Hamas atacaram Israel no dia 7 de outubro, assassinaram mais de 1.200 pessoas inocentes, violaram mulheres, queimaram famílias vivas e, se no fim do processo Portugal reconhecer o Estado palestiniano, isto é um prémio para o terrorismo.
Embaixador, a posição portuguesa é clara: condena-se fortemente esse ataque do Hamas.
Mas não pode falar que não tem negação. Isso é prémio para o terrorismo. E também, nesta decisão, o Governo português apoia os extremistas, os terroristas, porque há diferença.
Acredita que esta posição do Governo português é um apoio indireto ao Hamas?
Isto é um prémio para o terrorismo. Dentro da população palestiniana há terroristas do Hamas e há a Autoridade Palestiniana. E quando esta via do Hamas ganha, por razão da decisão de Portugal, significa para os palestinianos menos extremistas que a via do Hamas ganha.
Mas o que o Governo diz no comunicado é que são condições preenchidas pela Autoridade Palestiniana e não pelo Hamas. Qual é que é a solução política, então, para Israel?
Quando falamos sobre reconhecer o Estado palestiniano, a situação no terreno é que a Autoridade Palestiniana não controla a Faixa de Gaza com dois milhões de habitantes. E também na Cisjordânia, Judeia e Samaria, no sul de Judeia, há 500 mil palestinianos que enviaram uma carta para o Estado de Israel a pedir para sair da Autoridade Palestiniana. Há muita guerra civil dentro da Autoridade Palestiniana.
Mas então qual é a solução política que Israel considera viável quando acabar a guerra?
Para acabar com a guerra na Faixa de Gaza é simples: quando o Hamas libertar os reféns e quando o Hamas desmilitarizar, aí é o fim da guerra. Mas nós podemos ver, na última semana, que o Hamas decidiu parar estas negociações.
O Hamas já voltou a mostrar disponibilidade.
O Hamas decidiu fazer campanha de propaganda para a situação humanitária em Gaza e esta campanha teve muito sucesso. É uma vergonha que a CNN Portugal também tenha participado nesta campanha. Por exemplo, eu tenho aqui…
É uma campanha de propaganda as imagens que temos visto nos últimos dias e os relatos do Henry Galsky, correspondente da CNN que está no local?
Sim, eu falo especialmente sobre esta imagem. Temos aqui a imagem de uma criança que se chama Muhammad al-Matouq, na CNN Portugal, aqui, no website. Até agora, nós podemos ver na CNN Portugal. Na CNN Internacional não há [nota do editor: a CNN Internacional publicou várias fotos e escreveu vários artigos sobre a fome em Gaza, incluindo a história e imagens da criança referida pelo embaixador - pode ver AQUI e AQUI e AQUI alguns dos trabalhos da CNN Internacional], mas na CNN Portugal temos esta imagem deste menino e a CNN Portugal disse que ele sofre de fome. Isto é uma mentira do Hamas. E o New York Times lamentou ter usado esta imagem [nota do editor: o New York Times não lamentou usar a imagem, lamentou foi não ter sabido inicialmente que, além de subnutrição, a criança sofria de problemas de saúde, e escreveu isto a esse propósito - que mantemos no original em inglês: "An article on Friday about people in Gaza suffering from malnutrition and starvation after nearly two years of war with Israel lacked information about Mohammed Zakaria al-Mutawaq, a child suffering from severe malnutrition and whose photo was featured prominently in the article. After publication of the article, The Times learned from his doctor that Mohammed also had pre-existing health problems. Had The Times known the information before publication, it would have been included in the article and the picture caption"] e até agora a CNN Portugal continua a usar esta imagem. Eu tenho uma pergunta…
O facto de essa criança ter uma doença genética não invalida que ela também esteja a sofrer de fome. Ela e muitas outras crianças. Eu percebo porque Netanyahu já negou que não há fome na Faixa de Gaza, mas a OMS já alertou que a desnutrição em Gaza atingiu níveis alarmantes, com 74 mortes só este ano, 63 só em julho, incluindo 24 crianças menores de cinco anos. Há várias organizações internacionais que apontam para esse cenário de fome, numa situação limite. O próprio presidente norte-americano também diz que aquilo que se viu é catastrófico. Porque é que Israel nega este problema e também não deixa que jornalistas internacionais entrem no local para observar com os seus próprios olhos?
Muitas perguntas, eu vou tentar responder a todas. Primeiro, a situação humanitária é grave, especialmente para os nossos reféns em Gaza. Por exemplo, uma refém que foi assassinada em Gaza, o peso dela no momento em que foi assassinada foi 36 quilos. Nós podemos ver aqui as imagens dos reféns israelitas. Por exemplo, este refém israelita com ligações a Portugal, que se chama Eli Sharabi, podemos ver antes de ser refém e depois. Isto é uma situação grave.
Ninguém nega que efetivamente os reféns israelitas que estão em Gaza estejam numa situação difícil do ponto de vista humanitário. Donald Trump, por exemplo, é claro: diz que Israel não está a fazer as coisas de forma correta e acusa mesmo Israel de mentir sobre este assunto. Portanto, não é a CNN Portugal, é o próprio presidente dos EUA, o maior aliado de Israel, que coloca essa questão.
Eu vou falar sobre Portugal e sobre Israel. Sobre a fome em Gaza, por exemplo. Temos aqui o site da Al Jazeera, em que o Hamas anunciou no mês de maio que 57 palestinianos morreram de fome na Faixa de Gaza. E, ao ler este artigo, vemos que todas as crianças sofrem de doenças graves. É importante saber que centenas das crianças de Gaza foram tratadas nos hospitais de Israel antes da guerra. Às centenas. Essas são as palavras do Hamas.
Mas eu citei números da Organização Mundial de Saúde e várias organizações internacionais, também os Médicos Sem Fronteiras, que não são dominadas pelo Hamas, que reportam casos de mortes associadas a fome, nomeadamente entre crianças. O que é que nós podemos fazer com estes dados destas organizações?
Esta é a primeira situação humanitária de fome em toda a história do mundo em que só crianças sofrem e adultos não sofrem.
A organização Médicos sem Fronteiras diz que é transversal.
Estas crianças sofriam de doenças graves antes da guerra e por isso são magras também agora. E acho que é uma vergonha que até agora a CNN Portugal use estas imagens, que são mentiras.

A organização Médicos Sem Fronteiras diz que a fome é em massa em todo o território. Não se referem concretamente às crianças. Falam também de todos os adultos. São os Médicos Sem Fronteiras. É uma organização acima de qualquer suspeita pelo seu trabalho humanitário.
Nós ouvimos desde o início da guerra, e também antes da guerra, que há relatórios de que há situação humanitária grave em Gaza. Nós estamos a acompanhar a situação humanitária em Gaza sempre e nós podemos também ver as imagens do vosso correspondente, Henry Galsky, em Gaza, de que há centenas…
Mas se aquela ajuda chega às pessoas, porque é que as Forças da Defesa de Israel não deixam que jornalistas como o Henry Galsky possam entrar em centros onde há pessoas, onde há palestinianos, para que possamos falar com eles? O nosso jornalista está lá. Se nos permitirem, nós vamos lá falar com os palestinianos.
Nós não permitimos no passado e nós não vamos permitir no futuro.
Mas porquê?
Porque é muito complicado para fazer guerra, a guerra é [um cenário] complicado, como a situação em Gaza, com jornalistas internacionais.
Mas nós podemos aproveitar essa pausa tática, que tem sido feita nos últimos dias para distribuição de comida. Nós podemos aproveitar essa pausa tática, se Israel aceitar a entrada de jornalistas. É Israel que gere a guerra, portanto saberá que há jornalistas, que há civis, dentro daquele território e poderá não atacar nessa altura.
Para a entrada de jornalistas é muito complicado na zona que não é guerra regular. Esta é uma guerra em que os terroristas aparecem como civis. Por isso é muito complicado para nós. Mas nós podemos ver os detalhes. Por exemplo, desde o início da guerra, 97.305 camiões de ajuda humanitária entraram na Faixa de Gaza.

Embaixador, sabemos que a ONU tinha centenas de postos de distribuição de alimentos na Faixa de Gaza. Porquê agora apenas quatro, quando todos os agentes e entidades que estão no local dizem que se tornou uma situação caótica e muitas vezes até com fogo, disparos... Há pessoas que estão a morrer nesses pontos.
Ok, eu vou falar sobre isso. Há duas maneiras para a distribuição de comida em Gaza. Há a antiga maneira da ONU e há a nova maneira da Gaza Humanitarian Fund.
Com muito menos pontos.
Nós queremos mais. Mas isso é uma maneira muito efetiva, porque essa comida chega para as pessoas individuais, as pessoas mais pobres, as pessoas que não têm ligações com o Hamas. E a maneira da ONU é muito complicada. E também, de acordo com a ONU, a maioria da comida que chega dos camiões para esta maneira das Nações Unidas foi roubadas pelo Hamas. E por isso não chega para as pessoas mais pobres de Gaza.
Os dados de Active Access referem que 25% dessa ajuda pode ter sido desviada para o Hamas.
Isso é para o Hamas, mas tem outras pessoas que roubam.
Mas as organizações são mais ou menos, enfim, unânimes, dizendo que este sistema não funciona, que não tem capacidade para distribuir.
De Gaza Humanitarian Fund? Isso é totalmente errado. Nós podemos ver que até ontem…
Mas se é um erro, embaixador, porque é que Steve Witkoff, o enviado especial de Donald Trump, quis ir visitar um desses pontos e falar com locais? Se funcionasse bem, porquê esta visita nesta altura?
Não sei exatamente sobre esta visita, mas nós podemos ver com os nossos olhos que há 98 milhões de refeições que foram distribuídas para a Gaza Humanitarian Fund, para as pessoas mais pobres. Esta é uma maneira muito, muito boa para chegar às famílias mais pobres de Gaza. Isso é o mais importante. E o Hamas, com certeza, é contra esta ideia, porque o Hamas roubou muitos camiões da outra maneira. Por isso, é muito importante para o Hamas eliminar esta Gaza Humanitarian Fund e também, para as negociações, o Hamas quer que esta maneira acabe, porque esta é uma ameaça para Hamas.
Embaixador, deixe-me trazer também aqui a dimensão diplomática. Enquanto diplomata, está preocupado ao ver este isolamento internacional de Israel? Os próprios Estados Unidos levantam dúvidas e agora há uma série de países tradicionalmente aliados de Israel - França, a questão também do Canadá, Portugal também - que admitem o reconhecimento do Estado da Palestina e fazem declarações sistematicamente alertando para a situação dramática que se vive em Gaza. Até o Reino Unido, através do seu primeiro-ministro, alertou para esse problema. Israel está isolado internacionalmente? Isso preocupa-o?
Nós estamos numa situação muito difícil. Nós estamos numa situação de guerra e a verdade é que nós não temos escolha. Nós precisamos de agir para libertar os reféns e nós precisamos agir para que o Hamas se desmilitarize. Se nós não agirmos para isso, o dia 7 de outubro vai acontecer outra vez e outra vez.
Mas até onde é que vão chegar? Quando é que é suficiente?
É muito fácil. Eu disse isso. Quando libertarem todos os reféns e quando o Hamas se desmilitarizar. Nós não temos escolha e acho que todas as pessoas podem entender que não há.
Mas há pouco não respondeu qual é que seria a solução política para a faixa de Gaza. Sem o Hamas, isso parece claro para todo o mundo. Sobre a Autoridade Palestiniana, acusa-a de não ter eleições e parece-me que também está posto de parte, apesar de já terem feito apelos para que o Hamas saia do poder, que o Hamas entregue as armas e liberte os reféns. Quem é que poderia governar a Faixa de Gaza então?
Isso é a pergunta famosa do dia seguinte. O que vai acontecer em Gaza? Os jornalistas cá perguntaram-me isso muitas vezes também quando cheguei a Portugal. E o dia seguinte é simples. Quando vai ser o governo em Gaza que quer viver em paz, ao lado de Israel?

E Israel compromete-se também a terminar com os settlements, com os colonatos? Por exemplo, em maio anunciaram a criação de 22 novos colonatos na Cisjordânia. Isso vai terminar?
Eu quero falar porque esta semana foi o grande...
Mas relativamente aos settlements, vão parar ou não?
O mais importante é que esta semana foi a primeira vez que a Autoridade Palestina, em Nova Iorque, na cimeira, disse que eles querem ser o governo de Gaza. Foi a primeira vez que eles falaram sobre isso e isso também é solução para o dia seguinte, que a Autoridade Palestina vai controlar a Faixa de Gaza. Isso é solução para o dia seguinte. Antes, eles não aceitaram esta ideia, que eles vão ser o governo de Gaza depois da guerra. Mas agora nós temos esta solução do dia seguinte.
Mas deixe-me insistir nos settlements, nos colonatos. Repito, em maio, Israel anunciou planos para criar 22 novos colonatos na Cisjordânia. De que forma é que isto contribui para uma solução dos dois Estados?
Nós vimos no passado, por exemplo, na Faixa de Gaza, que, quando há acordo, nós podemos sair. Por exemplo, na Faixa de Gaza…
Israel admite reverter esses colonatos que estão instalados ilegalmente na Cisjordânia, à luz do direito internacional?
Isso não é ilegal, mas nós fizemos isso no passado. Por exemplo, na Faixa de Gaza, nós tivemos oito mil habitantes lá. E nós saímos também com o cemitério destas aldeias. Quando chegarmos a um acordo de paz com os palestinianos, com, talvez, a Autoridade Palestina, nós vamos fazer o que precisamos para a paz.
E anexar mais locais da faixa de Gaza é a última tática ou o último esforço para a libertação dos reféns?
A posição do governo de Israel é a de que nós não vamos ter parte de Gaza. Temos ministros de direita que falam isso, mas a posição [oficial] é a posição que o primeiro-ministro Netanyahu disse.
Relativamente a essa questão dos reféns, é de recordar que, logo a seguir a 7 de outubro, o Hamas, uma das condições que o Hamas colocava para libertar os reféns era, por exemplo, Israel não ter entrado na Faixa de Gaza. Houve ou não essa possibilidade, daquilo que nós conhecemos, de o Hamas libertar os reféns em troca de uma não intervenção de Israel no território?
Não há possibilidade para isso. Porquê? Se o Hamas não se desmilitarizar, o dia 7 de outubro vai acontecer outra vez. A libertação dos reféns é muito importante, mas não é tudo.
Mas admite que Israel possa agora entregar ajuda humanitária de uma forma mais maciça, para que os reféns possam ser libertados, como estava a exigir o Hamas? Hoje foi publicado pelo Haretz, por exemplo.
Não tem ligação à situação humanitária em Gaza e aos reféns. E agora nós temos, esta semana, muitas maneiras para distribuir ajuda humanitária. Por exemplo, com paraquedistas e outras maneiras.
Mas essa forma, com os paraquedas, é muito mais cara e nem sempre é viável, porque chega a outros pontos não tão controláveis da Faixa de Gaza. Quando vê imagens de crianças com panelas estendidas, por muito que possa negar que haja fome, e podemos falar sobre as interpretações de fome, não lhe faz confusão estas imagens de pessoas com uma panela estendida a implorarem por um pedaço de comida? Onde é que fica a humanidade destas pessoas?
Isso é parte de propaganda, de máquina de propaganda do Hamas, para mostrar a todo o mundo que a situação é muito má. Mas nós podemos falar sobre factos. Eu disse que 97 mil camiões entraram na Faixa de Gaza desde o início da guerra e, desde o dia 18 de maio deste ano, 5.590 camiões entraram em Gaza, com comida para as crianças, com aparelhos médicos. E a situação humanitária em Gaza não é pior nas últimas duas semanas. O que aconteceu nas últimas semanas é que o Hamas decidiu fazer campanha de propaganda.

Já percebemos que vai continuar a dizer que estas imagens são fabricadas e propaganda do Hamas, mas deixa-me perguntar...
É importante também saber que, quando nós pensamos sobre a ONU, em todo o mundo, o que significa? Significa que há pessoas estrangeiras que chegam para...
E para a organização Médicos Sem Fronteiras?
Primeiro, para as Nações Unidas, que todo o mundo sabe o que são as Nações Unidas. Há pessoas que são estrangeiras, que são neutras para este conflito, elas chegam e elas são as pessoas no meio. Mas a verdade é que estas organizações, todas as organizações das Nações Unidas, que têm milhares e milhares de trabalhadores lá, 99% dos trabalhadores são palestinianos. Eles não são estrangeiros para este conflito.
Mas a ONU acusa Israel de não dar vistos aos trabalhadores para poderem entrar no território. É uma forma de tentar que estas pessoas não entrem lá?
Os trabalhadores da ONU chegam à Faixa de Gaza. O problema é com uma agência das Nações Unidas, que se chama UNRWA, que mais de mil trabalhadores desta agência são terroristas. E nós não vamos aceitar a ideia de que nós precisamos trabalhar com a UNRWA quando há mais de mil terroristas lá dentro.
Essa é uma afirmação que Israel já repetiu também diversas vezes. Deixe-me só terminar com uma pergunta, pegando naquilo que disse inicialmente sobre a posição de Portugal sobre o reconhecimento da Palestina, que disse que seria quase um prémio para o Hamas. Qual seria, na sua leitura enquanto embaixador em Portugal, a relação entre o Estado de Israel e Portugal se Portugal efetivamente avançar para o reconhecimento da Palestina em setembro?
Nós vamos ver. Eu vou falar sobre isso em privado com o Ministério dos Negócios Estrangeiros. É também importante falar que o presidente Trump disse quinta-feira que a decisão da União Soviética, de França e do Canadá reforçaram o Hamas, que é o maior obstáculo para a paz e para o cessar-fogo. As palavras de Trump também [são] para Portugal.
Reiteramos que o comunicado conjunto destes 15 países nunca refere o Hamas como a força que pode ficar na Faixa de Gaza, mas sim a Autoridade Palestiniana. Embaixador Oren Rozenblat, muito obrigado pela sua disponibilidade.