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Exclusivo: Netanyahu opõe-se a ideia de Trump que pode beneficiar rival no Médio Oriente

CNN , Adam Cancryn , Tal Shalev Tal Shalev e Oren Liebermann
7 jul, 22:46
Benjamin Netanyahu (EPA/RONEN ZVULUN)
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Apesar da oposição, o primeiro-ministro israelita desvalorizou as divergências com o presidente norte-americano, afirmando que os dois concordam "na maior parte das vezes"

Poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter dito que está a considerar vender caças furtivos F-35 à Turquia, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, manifestou-se contra a possível venda, ao mesmo tempo que desvalorizou quaisquer divergências entre os dois líderes.

Numa entrevista à CNN, Netanyahu alertou que a venda da mais avançada aeronave de combate dos Estados Unidos "não faz da Turquia um Estado amigo dos Estados Unidos". Como parte de uma disputa crescente com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, Netanyahu descreveu Ancara como "um regime infetado pela Irmandade Muçulmana, que odeia os Estados Unidos".

"Ele não é propriamente um modelo de aliado dos Estados Unidos", disse Netanyahu à jornalista da CNN Dana Bash. "Ameaça destruir o meu país, o único Estado judeu do mundo."

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, afirmou, numa entrevista à CNN Turquia, na semana passada, que Israel "se tornou um fardo que a humanidade já não consegue suportar", levando o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel a condenar as declarações como "um exemplo clássico de incitamento ao genocídio".

"Isto não é uma força de paz e estabilidade. Quando lhes dão esse poder, vão ver agressão como consequência", afirmou Netanyahu.

Netanyahu disse que pediu diretamente a Trump que não vendesse os caças à Turquia, afirmando esta terça-feira que isso "destruiria o equilíbrio de poder no Médio Oriente".

Mas Trump, que se encontra na Turquia no âmbito da cimeira da NATO, indicou estar disposto a reverter a proibição da venda dos aviões a Ancara, que o próprio impôs durante o seu primeiro mandato. Descreveu a Turquia como um aliado "extraordinário" dos Estados Unidos.

Netanyahu desvalorizou quaisquer divergências com Trump, dizendo que ambos veem "as grandes questões da mesma forma", mesmo depois de Trump ter afirmado, durante o fim de semana, que o líder israelita "sabe quem manda".

"Ele é o presidente dos Estados Unidos. Faz o que é bom para os Estados Unidos", afirmou Netanyahu. "Eu sou o primeiro-ministro de Israel, faço o que é importante para Israel, e, na maior parte das vezes, essas coisas são idênticas."

Netanyahu, que criticou publicamente o acordo nuclear com o Irão durante a presidência de Barack Obama, tem evitado até agora condenar o atual acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão. O acordo pôs fim a uma guerra que Netanyahu queria prolongar e levantou sanções de longa data sobre a capacidade do Irão de vender petróleo, em troca da abertura do estratégico Estreito de Ormuz. O pacto também prevê a possibilidade de centenas de milhares de milhões de dólares em alívio adicional de sanções, caso as duas partes cheguem a uma trégua permanente.

É importante notar que o acordo não aborda nenhuma das principais questões que os Estados Unidos e Israel tinham definido no início da guerra, no final de fevereiro, incluindo o programa nuclear iraniano, a produção de mísseis balísticos, o apoio a grupos aliados e o stock de urânio altamente enriquecido. Questionado sobre o acordo de cessar-fogo, Netanyahu reservou o seu juízo.

"É demasiado cedo para dizer o que vai acontecer", afirmou. "O presidente acredita que pode travar o programa nuclear do Irão e acredita que o pode fazer através de negociações. Tenho as minhas dúvidas, mas penso que deve ter essa oportunidade, e é isso que está a tentar alcançar."

Netanyahu adotou uma postura muito mais dura em relação aos legisladores democratas, face à diminuição do apoio do partido a Israel. Chegou mesmo a destacar o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, devido às declarações anteriores em que afirmou que apoia Israel "como um Estado com direitos iguais", mas que não poderia apoiar "qualquer Estado que privilegie uma religião em detrimento de outra".

"É ridículo, é absurdo", disse Netanyahu, acrescentando que, embora Israel seja "uma democracia imperfeita", continua a ser "100 vezes melhor do que estas ditaduras e estas horríveis, horríveis tiranias que Mamdani e os seus apoiantes apoiam".

Também criticou a deputada democrata Haley Stevens, de origem judaica e candidata ao Senado pelo Michigan, pelas declarações em que afirmou que as ações de Netanyahu como primeiro-ministro tornaram os judeus norte-americanos menos seguros.

"Isso deixou-a desconfortável porque não consegue defender a verdade", afirmou. "Está provavelmente a tentar desculpar o antissemitismo."

Confrontado com a questão de saber se tinha alguma responsabilidade pessoal pela deterioração do apoio a Israel nos Estados Unidos, Netanyahu rejeitou essa hipótese, argumentando antes que são as redes sociais que estão a alimentar o aumento da oposição.

Netanyahu abordou ainda o aumento contínuo da violência por parte de colonos na Cisjordânia ocupada. Descrevendo os autores como um grupo de 150 "delinquentes juvenis", reconheceu que o problema "cresceu para além de qualquer proporção". Disse que a polícia e o exército "atuam", mas que os tribunais israelitas "são muito brandos" com os condenados por violência de colonos. "Os nossos cidadãos não podem exercer violência contra ninguém", afirmou.

Apesar das declarações de Netanyahu, a Cisjordânia tem registado um aumento da violência por parte de colonos - em alguns casos com soldados israelitas a assistirem sem intervir - em simultâneo com a rápida expansão dos colonatos promovida pelo Governo israelita em todo o território. Num período de um mês, no início deste ano, a organização israelita de direitos humanos Yesh Din registou 305 incidentes de violência por colonos, incluindo ataques contra pessoas e propriedades, bem como apropriações de terras.

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