Israel aprova Guarda Nacional sob controlo do polémico ministro da Justiça

2 abr 2023, 17:50
Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel (Ronen Zvulun/Pool/AFP via Getty Images)

Medida já foi criticada pela oposição, que acusa esta nova força de ser uma "milícia privada" do ministro de extrema-direita

O governo de Israel aprovou este domingo a criação de uma Guarda Nacional supervisionada pelo ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir, com o alegado objetivo de lutar contra organizações criminosas de origem árabe.

A medida já foi criticada pela oposição, que acusa esta nova força de ser uma "milícia privada" do ministro de extrema-direita e uma forma de intensificar a repressão dos protestos que têm ocorrido nas últimas semanas, motivados pela polémica reforma judicial proposta pelo governo de Benjamin Netanyahu.

Na mesma declaração em que anuncia a criação da Guarda Nacional, o gabinete do primeiro-ministro esclarece que os poderes exatos desta nova força serão discutidos por um comité composto por todas as agências de segurança israelitas, que deverão depois submeter recomendações num prazo de 90 dias.

Nesta fase preliminar estão ainda por definir os contornos mais específicos da medida, como quem teria autoridade direta sobre a Guarda Militar. No entanto, Ben Gvir adiantou que será mobilizado um recrutamento inicial de 1.850 pessoas, desde agentes da polícia a voluntários, incluindo árabes. Mas o histórico político do ministro alimenta dúvidas e críticas quanto à verdadeira natureza desta iniciativa: apesar de ter moderado algumas das suas posições nos últimos anos, as ideias políticas de Ben Gvir são abertamente influenciadas por Meir Kahane, rabino ultranacionalista que defendia a deportação da população árabe em Israel.

O chefe da polícia de Israel, Yaacov Shabtai, expressou dúvidas quanto à necessidade de uma Guarda Nacional numa carta endereçada ao ministro ultradireitista. De acordo com a Reuters, que cita a imprensa local israelita, Shabtai alertou que a eventual separação desta força da hierarquia da polícia "poderia revelar-se mais dispendiosa e até prejudicar a segurança dos cidadãos".

Em resposta, Ben Gvir já confirmou um encontro com o chefe da polícia esta segunda-feira e afirmou-se disponível para discutir a possibilidade de colocar a Guarda Nacional sob a autoridade da polícia - "se realmente o quiserem", frisou.

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