Exclusivo: PJ faz buscas a Isaltino Morais e a responsável do PSD por suspeitas de corrupção

Henrique Machado , notícia atualizada com o comunicado de Isaltino Morais às 11:51
8 nov, 09:29

Na operação estão cerca de 100 elementos da PJ, entre inspetores e peritos contabilísticos, que visam mais de 30 buscas domiciliárias e não domiciliárias

Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, e Rodrigo Gonçalves, destacado membro da comissão política nacional do PSD, enquanto vogal do órgão que dirige o partido, estão esta manhã a ser alvo de buscas diretas da Polícia Judiciária por suspeitas de crimes de corrupção, participação económica em negócio e prevaricação, apurou a CNN Portugal, por questões relacionadas com projetos empresariais e imobiliários, além de esquemas com contratações fictícias de prestações de serviços para autarquias, com vista à apropriação ilícita de dinheiros públicos para proveito pessoal e para o financiamento de estruturas do PSD através dos chamados "sacos azuis".

Na operação estão cerca de 100 elementos da PJ, entre inspetores e peritos contabilísticos, que visam mais de 30 buscas: quinze a casas, empresas e duas câmaras municipais, Oeiras e Odivelas, uma Junta de Freguesia, em treze empresas e em nove residências, todas situadas na área Metropolitana de Lisboa.

Em comunicado, a Polícia Judiciária confirma que as buscas estão relacionadas com "procedimentos de contratação pública realizados por diversas Autarquias Locais" e que "está em causa uma investigação em que se visa apurar a eventual prática de crimes de corrupção ativa e passiva para ato ilícito, de participação económica em negócio e de prevaricação".

A CNN sabe que Isaltino Morais e Rodrigo Gonçalves são os dois principais alvos da operação da PJ, numa investigação da Unidade de Combate à Corrupção, mas as buscas também estão centradas, nomeadamente, na Câmara de Odivelas, onde a mulher de Rodrigo Gonçalves exerce funções no departamento jurídico. Aí, é sobretudo ela o alvo das buscas num inquérito dirigido a partir do DIAP de Lisboa. Na prática, Rodrigo Gonçalves é considerado um angariador de negócios com esquemas ilícitos para as autarquias de Oeiras e Odivelas.

No lado de Oeiras, os suspeitos dos crimes são Isaltino Morais, presidente da câmara que já cumpriu pena de prisão por outros ilícitos de natureza económica, e outros responsáveis da autarquia, nomeadamente na direção do departamento urbanístico. 

Em comunicado, Isaltino Morais confirma que foram efetuadas buscas na Câmara Municipal de Oeiras e que foi "prestado todo o apoio necessário ao bom andamento das mesmas" e que estarão relacionados com o "projeto Porto Cruz (“Plano de Pormenor da Margem Direita e Foz do Rio Jamor”)", motivo pelo qual a Polícia Judiciária fez buscas nos Paços do Concelho há mais de 4 anos.

"Sobre eventuais relações minhas com apoios a candidatos do PSD, apenas posso afirmar que só podemos estar perante uma fabulação. Estamos em 2022, não sou militante do PSD desde 2005", acrescenta ainda a nota.

Pai de Rodrigo Gonçalves visado na investigação

Entretanto, também o pai do dirigente da comissão política nacional do PSD é visado. Trata-se de Daniel Gonçalves, presidente da junta de freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa, que celebrou contratos por ajuste direto com cinco empresas que já antes tinham celebrado contratos com a junta de São Domingos de Benfica, até 2013 presidida pelo filho Rodrigo. Quando este perdeu a liderança da junta, os contratos foram denunciados por suspeitas de irregularidades e de conluio com os empresários em causa, por questões de proximidade pessoal, e anulados. Mas entretanto as mesmas empresas transferiram os negócios para a junta das Avenidas Novas, presidida pelo pai de Rodrigo Gonçalves, Daniel, que também esta terça-feira está a ser alvo de buscas da Judiciária.

Rodrigo Gonçalves, recorde-se, é o mesmo que em 2019 se demitiu do cargo de consultor de comunicação do PSD, então liderado por Rui Rio, por suspeitas da criação de perfis falsos nas redes sociais numa lógica de propaganda de favorecimento ao líder. Antes, tinha exercido funções de assessoria no governo PSD/CDS. 

A família Gonçalves é considerada influente nas estruturas locais do PSD, o que permite angariação de votos para a eleição de líderes do partido a nível nacional.

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