Jonathan Andic foi detido há duas semanas, mas saiu em liberdade depois de pagar uma caução milionária
Aquilo que durante meses pareceu ser um acidente e que depois passou a possível homicídio ganha novos contornos. A defesa de Jonathan Andic, suspeito de matar o pai, Isak Andic, durante uma caminhada em Montserrat alega que as condições de saúde do fundador da Mango apontam que uma morte natural seja totalmente plausível.
De acordo com o jornal El País, que teve acesso aos argumentos da defesa do principal herdeiro de um dos homens mais ricos da Catalunha, o historial médico de Isak Andic é uma das grandes esperanças para provar a inocência de Jonathan Andic, que teve de pagar uma caução milionária para não ficar preso depois de um interrogatório.
Os advogados do suspeito garantem que Isak Andic, que morreu com 71 anos, sofria de artrose nos joelhos, o que poderia dificultar a sua capacidade de reagir a uma possível queda, o que ajuda a explicar a ausência de lesões nas palmas das mãos do fundador da Mango, que caiu cerca de 100 metros antes de morrer.
É que as autoridades espanholas consideram que, caso a queda tivesse sido acidental, as palmas das mãos de Isak Andic teriam de apresentar lesões ligadas a uma possível tentativa de salvamento.
Na ótica da defesa, o estado avançado das artroses do fundador da Mango poderiam provocar uma “redução nos tempos de reação à queda”.
E os representantes de Jonathan Andic pretendem juntar esta ideia a um facto acontecido 10 meses da trágica morte. É que a 20 de fevereiro de 2024, Isak Andic sofreu uma queda aparatosa em Barcelona, tendo tropeçado na sala de acesso a um restaurante.
Nessa altura a queda não trouxe consequências, mas as imagens das câmaras de videovigilância daquele dia mostram uma perda de equilíbrio sem motivo aparente, sendo que em nenhum momento Isak Andic estica as mãos como reflexo de proteção. Acabou por ser ajudado por um funcionário que lhe amparou a queda e evitou que batesse com a cabeça.
Ora, a defesa de Jonathan Andic pretende ligar um caso ao outro, defendendo que, tal como aconteceu antes daquele almoço em Barcelona, também em Montserrat Isak Andic não teve o reflexo de utilizar as mãos para se salvar.
De acordo com o processo, um dos sete indícios que apontam para a culpa de Jonathan Andic é o facto de Isak Andic ter caído “com os pés para a frente, como se tivesse saído de um escorrega”. Isso, aliado à ausência das lesões nas palmas das mãos, levou as autoridades a “descartar uma escorregadela numa pedra ou uma queda para a frente”.
A artrose em ambos os joelhos e a queda acidental em Barcelona são, assim, dois grandes trunfos da defesa de Jonathan Andic, que espera poder provar que não matou o pai.
