Nem o rigor britânico conseguiu evitar que uma aranha passeasse sobre o caixão de Isabel II (e outros pormenores que lhe podem ter escapado)

19 set, 20:26
Funeral da rainha Isabel II (Associated Press)

Porque é que Joe Biden teve de esperar para entrar? E o neto mais novo da rainha tem medalhas porquê? O funeral de Estado de Isabel II foi seguido por milhões de pessoas que não deixaram escapar alguns pormenores curiosos. Eis os factos por detrás de algumas questões levantadas nas redes sociais

O funeral de Estado da rainha Isabel II foi planeado até ao mais ínfimo pormenor: desde quem recebeu o convite à ordem pela qual os 2.000 convidados entrariam (e onde se sentariam) na imponente abadia de Westminster, passando pela escolha das flores, das músicas e até dos acessórios - tudo em sintonia para que nada fugisse ao protocolo.

E foram precisamente os pormenores que não escaparam ao olhar atento das milhões de pessoas que acompanharam a cerimónia presencialmente, pela televisão ou pelas redes sociais.  Até uma aranha foi assunto no Twitter:

Joe Biden chegou tarde e teve de esperar para sentar-se

Se os britânicos são conhecidos pela sua pontualidade, já os americanos... nem por isso. Prova disso foi o atraso de Joe Biden, que acabou por lhe valer um lugar mais atrás do que o que estava previsto. 

Segundo relata o The Guardian, o presidente norte-americano e a primeira-dama optaram por dirigir-se à abadia de Westminster no próprio carro (em vez do autocarro onde seguiram os restantes convidados) por razões de segurança, mas ficaram retidos no trânsito de Londres. E, à chegada, em vez de serem conduzidos imediatamente aos seus lugares, o casal teve que ser gentilmente informado de que precisaria ficar de pé e esperar enquanto uma procissão de medalhados seguia à sua frente. Joe e Jill Biden sentaram-se dez minutos mais tarde do que o suposto - e 14 filas atrás.

O presidente dos Estados Unidos sentou-se atrás de Andrzej Duda, presidente da Polónia, e à frente de Petr Fiala, primeiro-ministro da República Checa. Sentada à esquerda do marido, Jill Biden sentou-se ao lado de Ignazio Cassis, o presidente da Suíça. Na fila da frente do casal norte-americano estava Marcelo Rebelo de Sousa.

Porque é que todos parecem ter medalhas?

"Porque é que o neto mais novo da rainha usa medalhas com apenas 14 anos?" "E Mike Tindall, que nunca esteve nas forças armadas?" Estas foram algumas das perguntas que iam surgindo nas redes sociais à medida que a família real entrava na Abadia para a cerimónia. E há uma explicação: desde logo, as medalhas em causa não são militares mas civis.

O príncipe James, visconde de Severn, é filho do príncipe Edward - o quarto filho da rainha - e da princesa Sophie Rhys-Jones. Exibia uma medalha pelo Jubileu de Diamante de Isabel II, celebrado em 2012, e outra pelo Jubileu de Platina, que se assinalou este ano. Além do jovem príncipe também todos os filhos e netos da Rainha receberam uma medalha comemorativa.

Já Mike Tindall, o ex-jogador de rugby que é casado com a filha da princesa Anne, estava a usar a medalha de mérito MBE (de "Member of the British Empire"), concedida pelo seu contributo ao desporto, e também medalhas pelos jubileus de diamante e platina da falecida rainha.

O simbolismo dos acessórios

Se nos últimos anos as diferenças marcaram a relação entre Kate e Meghan, esta segunda-feira as cunhadas mostraram-se em sintonia no que toca à escolha dos acessórios. Aliás, todas as mulheres da Família Real (à exceção da princesa Anne) que compareceram ao funeral da rainha chegaram à Abadia de Westminster vestidas conforme o protocolo: roupa preta, chapéus pretos tradicionais ou 'véus de luto'. Segundo a imprensa britânica, todas as mulheres reais também devem usar "jóias de luto", geralmente pérolas, pois acredita-se que simbolizam lágrimas de tristeza.

Funeral da rainha Isabel II (Associated Press)

A princesa de Gales usou um dos colares da coleção privada de jóias da rainha Isabel II. O colar, composto por quatro fiadas de pérolas e um fecho, era usado frequentemente pela monarca no final da década de 80. Os brincos de pérolas e diamantes também pertenciam a Isabel II. Já a duquesa de Sussex usou um par de brincos de pérolas que a rainha lhe deu de presente há alguns anos.

Charlotte, filha de Kate e William, usava um broche de diamante em forma de ferradura, como um símbolo da paixão da rainha por cavalos.

O mistério do papel

Jóias e convidados à parte, as atenções viraram-se para um pedaço de papel: no início da cerimónia, um bispo baralhou uma pilha de papéis nas suas mãos, deixando cair acidentalmente um deles. O papel branco voou da sua mão para o chão da Abadia de Westminster, aterrando visivelmente perto da urna da rainha.

Logo após a queda, multiplicaram-se as publicações nas redes sociais sobre o pedaço de papel. O incidente rapidamente conquistou a imaginação do público - que até já criou uma conta no Twitter identificada como @FuneralPaper, com o nome "#Papergate" e uma biografia que diz: "Vou buscá-lo ou não? O que está no meu papel? Tantas perguntas, mas poucas respostas".

 

Cães da rainha assistiram à chegada da urna a Windsor

Dois dos corgis da rainha aguardam a chegada da urna de Isabel II a Windsor (Getty)

Já depois do funeral de Estado, os dois corgis da rainha, Sandy e Muick, foram trazidos para a rua por um funcionário da Casa Real para assistirem à chegada da urna de Isabel II ao Castelo de Windsor. Um momento simbólico que mais uma vez relembra a importância dos animais para a rainha. Na última semana foi tornado público que o príncipe Andrew será o próximo cuidador dos cães da rainha, que tinha uma predileção por esta raça.

Europa

Mais Europa

Patrocinados