Se não tem perspetiva de um aumento salarial em 2025, as mexidas nas tabelas de IRS podem trazer uma pequena ajuda. Veja as simulações para solteiros e casados com dois dependentes
O Governo publicou em Diário da República as novas tabelas de retenção na fonte do IRS. Pode ver aqui quais são as novas taxas.
Mas o que quererá mesmo saber é quanto, ao final de cada mês, vai sentir na carteira. É o que fazemos neste artigo com simulações das consultoras PwC e EY. Os efeitos fazem-se sentir já em janeiro.
Recorde-se que os trabalhadores dependentes e pensionistas com salários e reformas até aos 870 euros ficam isentos de retenção mensal.
Solteiro e sem filhos? Esta parte é para si
Se recebe 870 euros, acaba por levar para casa mais 23 euros do que no ano passado. Isto porque antes se aplicava uma taxa de 2,64%.
Se o seu salário é de 925 euros, passa-se a aplicar uma taxa de 2,59%, em vez dos anteriores 5,3%. Tal representa uma poupança de 25 euros, uma vez que passa a reter apenas 24 euros.
Num salário de mil euros, a retenção na fonte passa de 76 para 58 euros, o que lhe permite encaixar mais 18 euros a cada mês.
Num salário de 1.100 euros, a poupança já não é tão acentuada. Aplicava-se uma taxa de 8.45%, o que significava uma retenção de 93 euros. Agora, com uma taxa de 8,18%, a retenção passa a 90 euros. Ou seja, mais três euros na conta.
Mais três euros é também o extra para quem recebe 1.500 euros. A taxa de retenção passa dos 12,6% para os 12,4%. Ou seja, o valor a reter passa dos 189 para os 186 euros.
A poupança volta a ser maior para quem recebe 2.000 euros: de quatro euros por mês. Com as novas tabelas, a taxa de retenção passa de 16,5% para 16,3%. Estes trabalhadores, que antes retinham 330 euros, agora passam a reter 326 euros.
Para quem recebe 2.500 euros por mês, a taxa de retenção passa de 20,36% para 20,08%. Ou seja, a retenção passa de 509 euros para 502 euros, o que significa mais sete euros ao final de cada vez.
O mesmo valor aplica-se a quem tenha um salário de 5.000 euros. A taxa passa de 30,02% para 29,99%, com uma retenção de 1.501 euros em 2024 a encolher para os 1.494 euros em 2025.
Casado e com dois filhos? Esta parte é para si
Se recebe 870 euros, não há qualquer alteração, porque continua a estar isento.
Se o seu salário é de 925 euros, passa a estar isento, em vez da taxa de 0,65% que se aplicava em 2024. Isso significa mais seis euros ao final do mês.
Num salário de mil euros, a retenção na fonte passa de 33 para 15 euros, o que lhe permite encaixar mais 18 euros a cada mês.
Num salário de 1.100 euros, a poupança já não é tão acentuada. Aplicava-se uma taxa de 4,55 %, o que significava uma retenção de 50 euros. Agora, com uma taxa de 4,27%, a retenção passa a 47 euros. Ou seja, mais três euros na conta.
Mais três euros é também o extra para quem recebe 1.500 euros. A taxa de retenção passa dos 9,73% para os 9,53%. Ou seja, o valor a reter passa dos 146 para os 143 euros.
A poupança volta a ser maior para quem recebe 2.000 euros: de quatro euros por mês. Com as novas tabelas, a taxa de retenção passa de 14,35% para 14,15%. Estes trabalhadores, que antes retinham 287 euros, agora passam a reter 283 euros.
Para quem recebe 2.500 euros por mês, a taxa de retenção passa de 18,64% para 18,4%. Ou seja, a retenção passa de 466 euros para 460 euros, o que significa mais seis euros ao final de cada vez.
Serão mais sete euros para tenha um salário de 5.000 euros. A taxa passa de 29,16% para 29,02%, com uma retenção de 1.458 euros em 2024 a encolher para os 1.451 euros em 2025.
Se tem até 35 anos, há outra forma de poupar
A alteração nas tabelas de retenção na fonte do IRS não são a única forma de conseguir ter um salário maior em 2025, sobretudo para quem tem menos de 35 anos.
O novo IRS Jovem já entrou em vigor, permitindo uma redução do IRS pago, com um limite temporal de 10 anos.
A isenção será de 100% no primeiro ano de obtenção de rendimentos, de 75% entre o segundo e o quarto ano, de 50% do quinto ao sétimo ano, e de 25% entre o oitavo e o décimo ano.