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"Todos gostam de ter dinheiro na carteira" e este ano o reembolso do IRS vai ser menor. Como fica Montenegro?

3 abr 2025, 17:32
Dinheiro (Getty Images)
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Decisão do voto não costuma ser tomada por fatores pontuais, explicam os analistas. Além disso, na política fiscal, aquilo que é mau para uns costuma ser bom para outros

Já se sabia que ia ser assim: os portugueses começaram a entregar as suas declarações de IRS e constataram que, feitos os acertos, este ano vão receber muito menos reembolsos. O que não se sabia é que, em maio, iríamos novamente a eleições. E, apesar de o Governo insistir que esta redução nas devoluções não corresponde necessariamente a uma subida dos impostos, essa pode não ser a perceção de muitos contribuintes que se habituaram a contar com aquele dinheiro "extra" do reembolso. Resta saber, portanto, se esta perceção vai ou não influenciar o sentido do voto no próximo dia 18 de maio. 

"Todos gostam de ter dinheiro na carteira. Sabemos que os eleitores avaliam com mais firmeza aquilo que lhes toca mais diretamente na carteira e como o ato eleitoral vai ser muito próximo do momento em que as pessoas estão a receber as devoluções, este poderá mais um tema a contaminar as eleições, mas não será o único", comenta o politólogo Luís de Sousa, explicando que a tomada de decisão sobre em quem se vota é demasiado complexa, não sendo possível dizer que este fator será mais ou menos importante.

"As decisões não são tomadas geralmente por questões pontuais. Olha-se para o agregado geral. Se vou receber menos e estou insatisfeito com os serviços que me são prestados na saúde, na segurança, na educação etc., então é tudo a acumular. Mas se estiver satisfeito, o facto de receber menos não é tão importante", explica à CNN Portugal o investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 

Por outro lado, diz, "uma política fiscal mais contida pode ser gratificada por algum segmento do eleitorado, sobretudo no setor privado, que vê nisso uma folga para investimento. Mas pode ser mau para aqueles que dependem do suporte de políticas públicas, por exemplo na educação, saúde, e que sentem que o desempenho público está a regredir e têm mais dificuldade em aceder a serviços de qualidade e em tempo útil".

Essa é também a opinião do politólogo João Pacheco, que duvida que esta redução nos reembolsos possa prejudicar Luís Montenegro: "Se prejudicar, será residualmente. Há outros fatores na equação, outros dados que influenciam os eleitores", diz à CNN Portugal.

Claro que haverá algumas pessoas cujo voto terá uma "carga reativa, emotiva, imediatista". "Pode haver quem se sinta frustrado e queira dar um puxão de orelhas" a Montenegro, admite. Mas "aquela classe que tem mais massa crítica já está habituada a receber pouco e não tinha qualquer expectativa."

Além disso, João Pacheco recorda que esse efeito negativo da devolução do IRS pode ser compensado pelo efeito do IRS Jovem: "Há muitos jovens que só vão beneficiar no próximo ano, mas há outros que já estão a beneficiar este ano, já sentem este impacto positivo e aquilo que recebem supera as expectativas que tinham há pouco tempo". 

"O IRS vale o que vale", conclui o politólogo. "Há muitas coisas que podem influenciar, com conta, peso e medida. E acho que neste caso o IRS não vai ser determinante".

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