Forças de segurança agridem e disparam contra manifestantes no Irão

17 nov, 19:17
Protestos no metro de Teerão (Fonte: Roham Alvandi, Twitter)

Quarta-feira assinalou uma das noites mais violentas no Irão desde o começo dos protestos, há três meses. Mas os manifestantes continuam a entoar cânticos de liberdade

A noite desta quarta-feira foi uma das mais violentas no Irão desde o início da onda de protestos espoletada pela morte de Mahsa Amini, detida há três meses por desrespeitar os códigos de vestuário determinados pela República Islâmica. Pelo menos 15 pessoas terão morrido na sequência de vários ataques isolados, incluindo um menino de nove anos

No dia anterior os manifestantes tinham acordado reforçar os protestos durante um período de três dias, como uma dupla homenagem a Mahsa Amini, falecida sob a custódia da polícia da moralidade a 16 de setembro, e às milhares de vítimas das manifestações de 2019 contra o aumento do preço dos combustíveis. "Vamos lutar! Vamos morrer! Vamos recuperar o Irão" e "morte ao ditador" foram alguns dos lemas entoados pelos manifestantes, concentrados sobretudo nas ruas de Teerão. As mensagens de resiliência chegam ao resto do mundo através de vídeos partilhados nas redes sociais, a única forma de expressão livre e não censurada dos manifestantes - mas cujo acesso começa a ser, cada vez mais, limitado pelo governo. 

Os protestos de quarta-feira espalharam-se até ao metro da capital, local onde a polícia da moralidade verifica frequentemente se a indumentária das passageiras vai ao encontro dos padrões impostos: uso obrigatório e correto do véu islâmico, roupa comprida e larga de forma a não destacar a forma feminina. O cenário de violência, tanto nas plataformas como nas carruagens, é atestado pelos vídeos do incidente. "Forças de segurança abrem fogo contra protestante desarmados", escreve o historiador Roham Alvandi no Twitter, ao publicar imagens de uma multidão desesperada a correr e a gritar. Outro vídeo permite ver um cenário semelhante no interior das carruagens, onde os passageiros são violentamente agredidos por alegados membros das forças de segurança iranianas. 

Entre o caos, o gás lacrimogéneo e o pânico dos manifestantes, persiste ainda assim uma réstia de esperança. Alguém escreve mensagens de resistência nas paredes de uma carruagem sobrelotada; no interior e nas plataformas, as palmas e as vozes unem-se num cântico comum: "liberdade, liberdade, liberdade". 

À medida que os protestos tomam a forma de uma revolução, o governo procura intensificar as medidas de retaliação. Multiplicam-se as detenções, as mortes misteriosas sob custódia da polícia e as condenações à morte - e planeia-se também desenvolver uma tecnologia de reconhecimento facial em transportes públicos, para permitir o reconhecimento das mulheres (e protestantes) que desobedeçam à polícia da moralidade e incitem protestos.

De acordo com o grupo Iran Human Rights (IHR), mais de 300 pessoas terão sido assassinadas pelas forças de segurança locais ao longo de dois meses de protesto. Dia 16 de novembro assinalou o começo do terceiro mês, e o número deverá agora ser superior. 
 

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