Irão: líder supremo Ali Khamenei sublinha obrigatoriedade do véu islâmico

Agência Lusa , MJC
4 jan, 15:15
Véu islâmico

Khamenei disse ainda que “os críticos hipócritas ocidentais” e a “cultura ocidental decadente” cometeram um crime contra a dignidade da mulher e manifestou esperança de que o Islão possa influenciar a sua mentalidade

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, assinalou esta quarta-feira a obrigatoriedade do uso do véu na religião islâmica e sublinhou que deve ser respeitada no Irão, onde cada vez mais mulheres ignoram a norma como forma de protesto.

“O hijab [véu islâmico] é a religião. Quer dizer, não existem dúvidas sobre a obrigação do hijab, todos deveriam sabê-lo”, disse Khamenei, que rejeitou as dúvidas colocadas por diversas camadas sociais nos últimos meses. Sublinhou ainda que “não restam dúvidas, é uma obrigação religiosa que deve ser respeitada”, segundo a página digital oficial de Khamenei.

No decurso de uma reunião com mulheres ativistas sociais e culturais por ocasião do nascimento de Fátima, a filha do profeta do Islão Maomé, o líder supremo iraniano precisou que “aqueles que não cumprirem totalmente com o hijab não devem ser acusados de irreligiosos e contrarrevolucionários”.

Khamenei disse ainda que “os críticos hipócritas ocidentais” e a “cultura ocidental decadente” cometeram um crime contra a dignidade da mulher e manifestou esperança de que o Islão possa influenciar a sua mentalidade.

“O principal objetivo de colocar o tema da liberdade das mulheres no ocidente consistia em arrastá-las de casa para as fábricas e utilizá-las como mão-de-obra barata”, argumentou Khamenei.

Os protestos no Irão iniciaram-se em meados de setembro e exigiam mais liberdades na sequência da morte, sob custódia da polícia, de uma jovem curda detida pelo uso incorreto do véu islâmico.

Um número muito considerável de mulheres em Teerão, a capital iraniana, deixou de usar o véu islâmico.

Em dezembro passado, as autoridades do país informaram sobre a dissolução da polícia da moralidade, uma força que vigiava o vestuário das pessoas e as prendia, mas sublinharam que apenas era alterada a forma de abordar os infratores, e que permanecem em vigor os códigos obrigatórios sobre o vestuário.

No passado domingo, a agência noticiosa iraniana Fars informou que a polícia desencadeou um plano em todo o país, abandonado durante os protestos, relacionado com o envio de mensagens aos proprietários de automóveis onde se deslocam mulheres que não respeitam corretamente o uso do véu islâmico.

Em paralelo, as autoridades iranianas anunciaram a libertação de uma popular atriz, quase três semanas após a sua detenção por manifestar apoio aos protestos antigovernamentais.

A agência noticiosa semioficial ISNA disse que Taraneh Alidoosti, 38 anos, protagonista do filme de Asghar Farhadi “O Vendedor” e que obteve um Óscar em 2017 na categoria de melhor filme estrangeiro, foi libertada da prisão mediante caução. A sua mãe, Nadere Hakimelahi, tinha já anunciado previamente a sua libertação em mensagem no Instagram.

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