Defensores dos direitos humanos apelam à libertação da atriz Taraneh Alidoosti

Agência Lusa , MM
18 dez 2022, 12:42
Taraneh Alidoosti

Atriz de 38 anos foi detida no sábado, acusada de espalhar falsidades sobre os protestos que têm agitado o Irão. Alidoosti é estrela do filme "Os Irmãos de Leila", em cena nos cinemas portugueses

Celebridades e grupos de defesa dos direitos humanos estão a apelar ao regime iraniano que liberte a ativista Taraneh Alidoosti, presa no sábado por publicações de apoio aos protestos no Irão que duram há três meses, noticia este domingo a AFP.

Taraneh Alidoosti, atriz de 38 anos, foi detida no sábado, acusada de espalhar falsidades sobre os protestos que têm agitado o país desde setembro, segundo informaram os ‘media’ estatais, que explicam que a atriz não apresentou "nenhum documento que comprovasse as suas denúncias”.

A atriz divulgou na rede social Instagram uma mensagem a expressar a sua solidariedade para com um homem que foi recentemente executado por crimes alegadamente cometidos durante os protestos no país e acusou as autoridades iranianas de conduzirem um “banho de sangue” para reprimir a onda de protestos.

"Qualquer organização internacional que assiste a este banho de sangue sem reagir é uma vergonha para a humanidade", escreveu Alidoosti na sua página Instagram, seguida por mais de oito milhões de pessoas e que já não está acessível.

Em novembro, a atriz tinha prometido permanecer no Irão, "pagar o preço" necessário para defender os seus direitos e deixar de trabalhar para apoiar as famílias das pessoas mortas ou presas durante os protestos.

Os protestos no Irão foram desencadeados pela morte, em 16 de setembro, de uma mulher curda iraniana de 22 anos, Mahsa Amini, que morreu após ter sido presa em Teerão pela polícia moral por violar o rigoroso código de vestuário das mulheres da República Islâmica.

Desde então, centenas de pessoas foram mortas, milhares foram presas e dois homens de 23 anos foram enforcados, acusados de estarem ligados à agitação.

A detenção de Taranaeh Alidoosti foi denunciada por várias organizações de defesa dos diretos humanos como o Center for Human Rights in Iran (CHRI), sediado em Nova Iorque, que declarou que “mulheres estão a ser presas e encarceradas no Irão por se recusarem a usar o hijab obrigatório, incluindo atrizes famosas como Taraneh Alidoosti”.

“O poder das vozes das mulheres aterroriza os governantes da República Islâmica", afirmaram responsáveis por aquela organização, citados pela AFP.

"Taraneh Alidoosti é uma das atrizes mais talentosas e reconhecidas do Irão. Espero que ela seja libertada brevemente para continuar a representar a força do cinema iraniano", escreveu a realizadora do Festival de Cinema de Toronto no Canadá, Cameron Bailei.

A ativista goza de fama internacional por ser estrela em filmes premiados pelo realizador Asghar Farhadi, incluindo "O Cliente", o vencedor do Óscar de 2017 para melhor filme em língua estrangeira.

Atriz desde a adolescência, também se destacou em "Os Irmãos de Leïla", de Saeed Roustayi, que foi exibido no Festival de Cinema de Cannes deste ano, e que está em cena nos cinemas portugueses desde o dia 8 de dezembro.

Além daquela atriz, várias personalidades do cinema iraniano têm sido perseguidas ou detidas pelas autoridades, mesmo antes da atual onda de protestos, como os realizadores Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi, que ainda se encontram detidos.

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