Informação é avançada pelo Centro de Documentação de Direitos Humanos do Irão em exclusivo ao site de notícias The Media Line. Este domingo marca o 17.º dia consecutivo de “apagão” imposto pelas autoridades iranianas, o que tem dificultado as denúncias de violações desde o início dos protestos contra o regime, no final de 2025
Manifestantes feridos nos protestos que estão a varrer várias cidades do Irão desde dezembro terão sido transportados para necrotérios ainda vivos para serem executados, noticia o jornal Jerusalem Post este domingo com base numa notícia exclusivo do portal The Media Line, que por sua vez cita informações recolhidas pelo Centro de Documentação de Direitos Humanos do Irão.
Um sobrevivente que terá fingido que estava morto foi transportado dentro de um saco para cadáveres, onde permaneceu durante três dias, tendo ouvido tiros a serem disparados contra outros civis feridos. Os investigadores do centro dizem ter documentado casos de manifestantes encontrados vivos em sacos para cadáveres.
Com o Irão mergulhado há 17 dias num “apagão” imposto pelo regime dos aiatolas, o que tem dificultado as comunicações dos iranianos entre si e com o exterior, o centro entrevistou o jovem sobrevivente que passou três dias num saco para cadáveres – e que conseguiu escapar quando uma multidão de familiares de manifestantes desaparecidos invadiu o local em busca dos seus entes queridos.
Ao The Media Line, agência de notícias sobre o Médio Oriente sediada nos EUA, um especialista em medicina legal de Teerão diz que o nível de brutalidade demonstrado pela Guarda Revolucionária Islâmica ao matar manifestantes feridos em hospitais foi tal que muitos profissionais de saúde ficaram em grave choque psicológico. Esses profissionais confirmam ter testemunhado como pessoas feridas foram transferidas para as morgues em sacos para cadáveres ainda com vida. O especialista diz ter ouvido outros médicos relatarem situações de pacientes feridos mortos pelas forças de segurança.
Segundo o professor Amir Mobarez Parasta, que investigou o massacre de manifestantes no Irão nos dias 8 e 9 de janeiro, quando a repressão subiu de tom, metade dos mortos nunca chegou a hospitais e muitas outras mortes nunca foram oficialmente registadas em instalações médicas, adianta o mesmo jornal. Parasta também terá confirmado os relatos de manifestantes encontrados vivos dentro de sacos para cadáveres.
O jornal The Media Line diz ter acedido a uma mensagem de uma enfermeira que confirmou que pacientes estavam a ser executados de forma sistemática. A enfermeira foi posteriormente, adianta o site.
A mensagem dizia: “Eu vi com os meus próprios olhos; eles vieram e levaram os feridos. Havia até alguém na sala de cirurgia — ouvi dizer que até deram os tiros finais (tiros de execução). Tirar alguém da sala de cirurgia significa que pretendem matá-lo. Agora somos todos 'mortos-vivos'. Não consigo descrever o nível de choque em que estamos. Não tenho medo de que me matem. O meu único motivo para querer continuar viva é para estar lá pelos feridos. Não consigo descrever o nível de choque em que estamos. Mas quero continuar viva apenas para cuidar dos feridos. Vocês não imaginam quantas pessoas feridas temos aqui.”
A República Islâmica desligou a internet a 8 de janeiro, dia em que os protestos anti-governamentais desencadeados a 28 de dezembro atingiram o seu auge, tendo como resposta uma dura repressão estatal. Segundo a versão oficial, mais de 3.100 pessoas morreram. Organizações da oposição, como a HRANA, sediada nos Estados Unidos, falam em pelo menos 5.495 mortos.
Teerão culpa os Estados Unidos, Israel e os seus "agentes terroristas" pelas mortes, enquanto organizações como a Amnistia Internacional têm denunciado a forte repressão estatal, descrevendo o que tem tido lugar nos protestos como um "massacre".