Irão emite primeira sentença de morte ligada aos recentes protestos

CNN , Adam Pourahmadi
14 nov, 21:30
Protestos contra a morte de Mahsa Amini (Photo by BULENT KILIC/AFP via Getty Images)

Um tribunal iraniano emitiu a primeira sentença de morte ligada aos recentes protestos, condenando uma pessoa não identificada por "inimizade contra Deus" e "por espalhar a corrupção na Terra", segundo a imprensa estatal.

A sentença chega após de semanas de manifestações a nível nacional, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, em setembro.

O Tribunal Revolucionário do Irão emitiu a sentença a um manifestante que alegadamente incendiou um edifício governamental, segundo os órgãos de comunicação social do Estado.

Foram condenados sob a acusação de "perturbar a ordem pública e a paz, a comunidade, e conspiração para cometer um crime contra a segurança nacional, guerra e corrupção na Terra, guerra através de fogo posto e destruição intencional", segundo a agência de notícias estatal IRNA, no domingo.

Outras cinco pessoas que participaram nos protestos receberam penas de cinco a dez anos de prisão, condenadas por "conspiração para cometer um crime contra a segurança nacional e perturbação da paz e ordem pública".

A IRNA acrescentou que estas decisões são preliminares e passíveis de recurso. A agência noticiosa não divulgou o nome do manifestante que recebeu a sentença de morte nem forneceu pormenores sobre quando ou onde terá cometido o alegado crime.

Um tribunal iraniano emitiu a primeira sentença de morte a um manifestante, com as autoridades a reprimiram os envolvidos nas manifestações antirregime desencadeadas pela morte de Mahsa Amini.

O Irão tem sido abalado por protestos antirregime desde setembro, na maior manifestação de dissidência dos últimos anos, provocada pela indignação pela morte de Amini, uma mulher iraniana curda de 22 anos que tinha sido detida pela "polícia da moralidade" por, alegadamente, não usar corretamente o hijab.

Desde então, as autoridades iranianas exerceram uma repressão brutal sobre os manifestantes, tendo acusado pelo menos mil pessoas, na província de Teerão, por alegado envolvimento.

As forças de segurança mataram, pelo menos, 326 pessoas desde o início dos protestos, há dois meses, segundo a ONG norueguesa de direitos humanos no Irão.

Este número inclui 43 crianças e 25 mulheres, refere o grupo, numa atualização do número de mortos no sábado, referindo que o número publicado representa um "mínimo absoluto".

A CNN não pôde confirmar os números de forma independente, uma vez que os meios de comunicação social não-estatais, a Internet e os movimentos de protesto no Irão foram todos suprimidos. O número de mortos varia entre grupos da oposição, organizações internacionais de direitos e jornalistas que acompanham os protestos em curso.

Apesar da ameaça de detenções – e de punições mais severas para os envolvidos – celebridades e atletas iranianos têm dado a cara para apoiar os protestos antigovernamentais nas últimas semanas.

Na sexta-feira, peritos das Nações Unidas pediram às autoridades iranianas que "parem de indiciar pessoas com acusações puníveis com a morte por participação, ou alegada participação, em manifestações pacíficas" e "deixem de usar a pena de morte como ferramenta para suprimir os protestos".

Para este relatório contribuíram Duarte Mendonça, Pierre Bairin, Maija Ehlinger e Kathleen Magramo.

Relacionados

Ásia

Mais Ásia

Patrocinados