Exército diz estar pronto para intervir nas manifestações no Irão "pela defesa da segurança nacional"

Agência Lusa , BCE
23 set, 14:51

O Exército iraniano não costuma intervir em protestos, função reservada à Guarda Revolucionária

O Exército iraniano afirmou esta sexta-feira que "está pronto" para ajudar a polícia, "pela defesa da segurança nacional", a lidar com os protestos que abalam o país há uma semana, devido à morte de uma jovem detida pela polícia.

Num comunicado, os militares descreveram os protestos como "ações desesperadas da estratégia diabólica do inimigo para enfraquecer o regime islâmico".

“Estamos prontos para ajudar os nossos companheiros da polícia”, referiu a nota. "As Forças Armadas nunca permitirão que o inimigo prejudique os ideais do imã Khomeini", assegurou o comunicado militar.

As declarações do Exército acontecem um dia após a poderosa Guarda Revolucionária ter descrito os protestos como "sedição" e ter pedido ao aparelho judiciário que processe aqueles que "espalham boatos e mentiras" nas redes sociais e nas ruas.

As autoridades iranianas insistem que os protestos são incitados pelo "inimigo estrangeiro" com a intervenção de embaixadas e serviços de informação de outros países.

Mahsa Amini, de 22 anos e originária do Curdistão (noroeste), foi detida pela polícia da moralidade em 13 de setembro em Teerão, por "vestir roupas inadequadas".

Aquela unidade é responsável por fazer cumprir o rígido código de vestuário no Irão, onde as mulheres devem cobrir os seus cabelos e não é permitido usar roupas curtas ou apertadas, entre outras proibições. A jovem morreu em 16 de setembro no hospital.

Ativistas afirmam que a jovem foi morta com tiros na cabeça, uma alegação negada pelas autoridades, que garantem não ter maltratado a mulher e dizem que Mahsa Amini morreu de ataque cardíaco. Uma investigação foi aberta pelas autoridades iranianas.

Os protestos repetiram-se na última semana e deixaram pelo menos 17 mortos em mais de 20 cidades, divulgou na quinta-feira a televisão estatal IRIB, embora grupos de direitos humanos com sede na Europa tenham indicado que 31 já foram mortas.

Nesses protestos, muitas mulheres queimam os lenços de cabeça (véus) e retratos do antigo líder supremo do Irão ayatollah Khomeini (1902-1989), gestos que eram considerados impensáveis até ao momento.

O Governo iraniano está a controlar fortemente a internet e nos últimos dois dias mantém as redes móveis cortadas a partir das 21:00 e até ao período da manhã seguinte.

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