Mais um jovem morto no Irão: Erfan Rezaei tinha 21 anos e foi baleado por rasgar um póster com uma imagem de Ali Khamenei

CNN Portugal , MJC
25 out, 09:12
Erfan Rezaei (DR/BBC)

O rapaz estava a participar num protesto e foi morto pelas forças de segurança, que atiraram à queima-roupa

As forças de segurança iranianas mataram um jovem de 21 anos durante os protestos na cidade de Amol, a 21 de setembro, disse uma fonte próxima da família à BBC. Erfan Rezaei foi filmado a rasgar um póster com uma imagem do líder supremo, Ali Khamenei, pouco antes de ser baleado no ombro e nas costas, à queima-roupa.

Pouco depois do protesto, a mãe de Erfan, Farzaneh Barzekar, foi informada pelas autoridades de que ele tinha sido internado no hospital. As enfermeiras do hospital não lhe disseram onde ele estava, mas, depois de três horas de buscas, ela encontrou as suas roupas encharcadas de sangue perto de uma sala de cirurgia e desmaiou. Erfan morreu em resultado de lesões graves nos rins e baço causadas pelo ferimento de uma bala nas costas. A bala foi disparada por uma pistola a uma distância de cinco metros.

As autoridades não comentaram, mas a fonte revelou que a sua família estava a ser pressionada para dizer que os manifestantes o mataram.

As autoridades entregaram o corpo de Erfan à sua família dois dias depois, com a condição de que realizassem um funeral tranquilo. Aparentemente, a família só teve autorização para fazer o funeral porque o pai de Erfan era um veterano da guerra Irão-Iraque que ainda sofre os efeitos da exposição a armas químicas e de stress pós-traumático. Os iranianos reverenciam aqueles que lutaram no conflito de 1980-88, no qual morreram mais de um milhão de pessoas.

Os protestos contra o governo iraniano têm-se intensificado desde a morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que foi detida pela polícia moral por alegadamente estar a usar "indevidamente" o seu hijab, ou lenço da cabeça. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos do Irão (HRANA) estima que 248 manifestantes, incluindo 33 crianças, foram mortos pelas forças de segurança desde então.

Na semana passada também foi conhecida a morte de Abolfazl Adinezadeh, um estudante de 17 anos que também foi morto a tiro na segunda maior cidade do país, Mashhad, a 8 de outubro. 

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