Lista de nomes ficou mais pequena porque um deles morreu, mas há muito por onde escolher
Morre o líder, mas não morre a ideia. Mesmo que se confirmem as afirmações de Estados Unidos e Israel de que o aiatola Ali Khamenei está morto, a Revolução Islâmica continua de pé.
Não é uma dúvida, é mesmo uma certeza, já que se trata de um regime brutalmente enraizado no Irão, fruto de quase 50 anos de uma teocracia que se infiltrou em todas as camadas da sociedade.
De resto, as secretas norte-americanas quiseram deixar claro a Donald Trump que a morte do Líder Supremo do Irão não acabaria com o regime por si só, havendo informações concretas de que a Guarda Revolucionária Islâmica pode assumir o poder nesse seguimento.
De resto, Ali Khamenei tinha já 86 anos. Partindo do princípio que não duraria para sempre, naturalmente que a cúpula iraniana tem a sua sucessão mais do que preparada, e não é um par de bombas num complexo em Teerão que vai mudar isso.
No poder desde 1989, quando morreu o aiatola Ruhollah Khomeini, o grande líder da Revolução Islâmica, Ali Khamenei era visto por todos como o representante de Deus no Irão, além do comandante das Forças Armadas que tinha sempre a palavra mais sábia.
O aiatola dos aiatolas, sim, mas não o único aiatola, já que existem dezenas de homens – chegou a haver uma mulher, Monireh Gorji, mas morreu em janeiro de 2025 - que são aiatolas, pessoas escolhidas no ramo xiita da religião muçulmana que são escolhidas pelo mérito, aclamação ou nomeação de um outro aiatola, sendo também descendentes do profeta Maomé.
“Khamenei, uma das pessoas mais malvadas da História, está morto”, anunciou Donald Trump na sua Truth Social, lançando o Irão para uma incerteza de liderança.
E isso aconteceu, apontou o presidente dos Estados Unidos, porque não é possível escapar à capacidade conjunta de norte-americanos e israelitas. E se na chamada Guerra dos 12 Dias Ali Khamenei ainda se refugiou, desta vez achou que não havia necessidade, mantendo-se no seu complexo em Teerão, um dos alvos mais atacados pela operação.
Mas vamos recuar precisamente a junho do ano passado, quando o aiatola chegou a estar debaixo do chão vários dias, garantindo a sua segurança de quaisquer ataques inimigos. Logo nessa altura, e ciente do risco que corria, nomeou três nomes que podiam seguir-se a ele no poder em caso de algo correr mal.
De acordo com o The New York Times, que cita fontes próximas do processo, os três nomes são os seguintes: Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, chefe da justiça; Ali Ashgar Hejazi, chefe de gabinete do aiatola Ali Khamenei; Hassan Khomeini, um clérigo moderado de uma fação política mais reformista que é neto do aiatola Ruhollah Khomeini.
Mojtaba, o filho do aiatola Ali Khamenei, também era indicado por algumas fações como um favorito, mas o próprio pai e Líder Supremo do Irão disse aos seus seguidores que não queria instituir a hereditariedade no país.
Além destes nomes, sabe-se também que o aiatola Ali Khamenei autorizou um pequeno círculo de aliados políticos e militares a tomarem decisões caso ele seja morto ou esteja incontactável
São eles o chefe de gabinete, nome repetido da lista acima, mas também o brigadeiro-general Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e antigo comandante do Corpo de Guardas Revolucionárias, e o seu principal conselheiro militar e antigo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Yahya Rahim Safavi.
Há ainda outros nomes talvez menos conhecidos, mas que também estão na calha. É o caso de Alireza Arafi, de 67 anos. Figura menos conhecida, trata-se de um clérigo consagrado e confidente de Khamenei. Atualmente ocupa o cargo de vice-presidente da Assembleia de Peritos e foi membro do poderoso Conselho dos Guardiães, que avalia os candidatos às eleições e às leis aprovadas pelo parlamento. É também o chefe do sistema de seminários do Irão. Arafi não é conhecido por ser um peso pesado político e não tem laços estreitos com o aparelho de segurança.
Surge também o nome de Mohammad Mehdi Mirbagheri: um clérigo de linha dura e membro da Assembleia de Peritos, que representa a ala mais conservadora do clero. De acordo com o IranWire, um veículo de comunicação ativista, opõe-se fortemente ao Ocidente e acredita que um conflito entre crentes e infiéis é inevitável. Atualmente dirige a Academia de Ciências Islâmicas na cidade sagrada de Qom, no norte do país.
Por último, Hashem Hosseini Bushehri: um clérigo sénior intimamente ligado às instituições que gerem a sucessão, particularmente a Assembleia de Peritos, onde desempenha as funções de primeiro vice-presidente. Diz-se que Bushehri era próximo de Khamenei, mas tem um perfil discreto internamente e não é conhecido por ter fortes laços com a Guarda Revolucionária Islâmica.
Ora, e segundo Israel, destes nomes há um que está descartado. Isto porque Ali Ashgar Hejazi é dado como um dos sete altos responsáveis mortos durante os ataques, numa lista que não inclui o aiatola.