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Rangel é "o único ser no planeta" que viu os aviões americanos nas Lajes e "pensou que seria para um passeio no Médio Oriente"

5 mar, 22:34

Miguel Sousa Tavares contraria ainda as declarações de Luís Montenegro de que a base aérea na Terceira não serviu para atacar o Irão. "É claro que serviu", defendeu

Miguel Sousa Tavares criticou a postura do Governo português, em concreto do ministro dos Negócios Estrangeiros, acerca da utilização da Base das Lajes pelos EUA no âmbito da guerra desencadeada contra o Irão.

O comentador da TVI visou as declarações de Paulo Rangel, que disse na CNN Portugal que o Governo impôs três condições aos EUA para a utilização da infraestrutura açoriana.

“Quando dá a autorização, já o ataque durava há 12 horas. Começou às 9 da manhã, hora local, 6 da manhã em Portugal. E é ao final da tarde de sábado, que os Estados Unidos obtêm a autorização [para utilizar as Lajes]. Não é previamente, é já depois de estarem a atacar. E então as condições que ele pôs não faziam sentido”, disse Sousa Tavares.

“Além disso, nenhuma delas foi respeitada. Só podia ser resposta a um ataque. Qual foi o ataque do Irão? Nenhum. Tinha de ser necessário. Era necessário porquê? E terceiro, [só pode visar] alvos militares. Já mataram 175 pessoas numa escola, crianças e professores, e hoje, pelo que vi numa televisão estrangeira, atingiram um hospital. Eu ouvi o Pete Hegseth, o secretário da Defesa dizer, ‘não, não, nós americanos só atacamos alvos militares’. Mas não foi isso que aconteceu. Como não é verdade que Luís Montenegro diga que as Lajes não serviram para atacar o Irão, é claro que serviram”, acrescentou.

Sousa Tavares ironizou a postura de Rangel e disse que o ministro foi “o único ser no planeta que, depois de ver estes aviões todos estacionados na Base das Lajes, (…) imaginou que seria para um passeio no Médio Oriente”.

Quanto à guerra no geral, o comentador da TVI considera-a ilegítima.

“Há duas maneiras de declarar a guerra. Uma é através do Conselho de Segurança das Nações Unidas. (…) Outra é através do direito internacional, de acordo com o direito internacional. Estas são as duas formas legítimas de a começar. Não basta invocar o interesse e a segurança nacional”, argumentou.

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