Os últimos ataques entre Israel e Irão em sete pontos

8 jun, 11:54
Vista de projétil nos céus de Israel a 7 de junho (AP Photo)
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Foi a situação no Líbano que acabou por espoletar esta nova escalada na tensão, com fogo direto trocado entre Israel e Irão. Havia um acordo para cessar-fogo no Líbano, mediado pelos EUA. Só que, perante a resistência dos combatentes do Hezbollah, apoiados pelo Irão, Telavive continuou as investidas. O Irão avisou que, perante essa postura de Israel, ia atacar. E insiste que um acordo com os EUA depende de uma trégua no Líbano – e atira culpas a Trump

Ataque a complexo petroquímico

Israel confirmou que atingiu um complexo petroquímico no sudoeste do Irão esta segunda-feira, a que se juntam ataques a outros alvos militares. A investida aconteceu apesar do aviso do presidente dos EUA, Donald Trump, que pediu ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu para não retaliar. Segundo Israel, o objetivo é reduzir a capacidade de produção de mísseis da República Islâmica

Trata-se do primeiro ataque a uma instalação energética dentro do Irão desde o cessar-fogo que tinha entrado em vigor a 8 de abril. O alvo foi o complexo petrolífero de Mahshahr, deixando partes da central danificadas.

As autoridades locais deram ordem de evacuação, mas não há feridos a registar, segundo a imprensa estatal iraniana. O cálculo dos danos está a ser feito. Desde o início do conflito, foram atingidas cinco linhas de produção deste complexo.

Trump acredita em acordo com Irão apesar da instabilidade

Donald Trump continua a acreditar num cenário de acordo com o Irão, afirmando que os novos ataques levados a cabo por Telavive e Teerão não afetariam as negociações de paz em curso com os EUA. Netanyahu “não manda nada”, insistiu.

Já na manhã desta segunda, reagiu na Truth Social à troca de fogo entre Israel e Irão, exigindo a ambos que "parem imediatamente os ataques".

O objetivo será o de permitir um acordo para pôr fim ao conflito mais amplo que existe na região - e onde os EUA procuram um acordo com o Irão.

Mesmo com os puxões de orelhas de Trump, e com uma trégua em curso, Israel avançou com ataques na região de Beirute no domingo. Pelo menos duas pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas no ataque aéreo israelita nos subúrbios da capital libanesa.

Como forma de retaliação, o Irão disparou mísseis contra alvos israelitas.

Irão atira culpas para EUA

Numa reação ao escalar de tensão, Teerão veio avisar que a troca de fogo entre Irão e Israel só vai agravar um processo diplomática que já é “caótico” com os EU, uma posição assumida pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei.

Segundo este responsável, as ações de Israel no Líbano foram levadas a cabo com o conhecimento e consentimento dos EUA. Washington, afirmou, enquanto signatário do cessar-fogo, tem responsabilidade direta por quaisquer violações à trégua.

"Os Estados Unidos têm responsabilidade direta por qualquer ação que o regime sionista (Israel) tome em relação à violação da paz e da segurança regional contra o Irão”, declarou.

A escalada da tensão está a alimentar reações de responsáveis políticos, incluindo a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas: “Creio que a região não precisa de uma escalada, mas sim que as partes se sentem à mesa de negociações e cheguem a um acordo.”

Divisões entre Trump e Netanyahu estão cada vez mais evidentes (Evan Vucci/AP)

Troca de mísseis balísticos em curso

Israel diz ter em vista alvos militares iranianos, na sua resposta aos mais de 30 mísseis balísticos que foram disparados pelo regime de Teerão. A Guarda Revolucionária do Irão confirmou que o inimigo utilizou também mísseis balísticos. Foram ouvidas explosões em Teerão, Tabriz e Isfahan.

O Irão afirma ter atacado a base aérea de Ramat David, perto de Nazaré, mas Israel alega que os mísseis foram intercetados pelos seus sistemas de defesa.

Não havia ataques do Irão desde que o cessar-fogo acordado em abril, apesar de o Hezbollah, grupo apoiado por Teerão a operar no Líbano, o fazer.

Teerão tem defendido que qualquer acordo de paz com os EUA dependerá de um cessar-fogo também no Líbano, país invadido por Israel invadiu em março, com o argumento da perseguição aos combatentes do Hezbollah, apoiados pelo Irão.

Mesmo tendo havido um acordo para um cessar-fogo entre Israel e Líbano, Telavive tem insistido que a sua aplicação depende do fim dos ataques do Hezbollah, algo que Beirute reconhece não conseguir controlar.

Há milhares de mortes e centenas de milhares de refugiados no Líbano devido a este conflito.

Houthis impedem navegação no Mar Vermelho

Noutra frente, os houthis do Iémen, que estão alinhados com o Irão, prometeram impedir a navegação marítima de Israel no Mar Vermelho. Este grupo afirma ser o responsável por um ataque com mísseis contra Israel. Telavive diz ter intercetado dois mísseis enviados por este grupo.

“Consideramos todos os movimentos inimigos alvos militares legítimos para as nossas forças armadas", afirmaram em comunicado.

Impacto no preço do petróleo e na aviação

Outro dos alvos são os mercados. As mais recentes hostilidades impulsionaram o preço do petróleo em mais de 3% esta segunda-feira. Os futuros contratos de Brent, que são a referência internacional, voltaram a estar acima dos 96 dólares por barril.

Já no setor da aviação assistem-se à alteração da rota de vários voos com partida de Istambul. As companhias aéreas turcas Pegasus Airlines e AJet cancelaram ligações para Amã (Jordânia) e Bagdade (Iraque). Agrava-se ainda mais a conetividade na região, depois de várias companhias terem, em fevereiro, suspendido ou desviado as suas operações, devido aos riscos de segurança.

Impacto na Palestina

Israel encerrou, de forma temporária, os pontos de passagem para a Faixa de Gaza na sequência dos ataques do Irão. Na rede social X, o ministério da Defesa israelita anuncia ter implementado medidas de segurança nas passagens de Kerem Shalom e de Rafah.

Houve também mísseis iranianos disparados contra Israel a desintegrar-se no espaço aéreo sobre a Cisjordânia. Um dos mísseis dirigia-se a Beersheba. Caiu numa área aberta. Fragmentos de vários outros danificaram algumas casas nas Cisjordânia. Não há feridos a registar.

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