Porque é que os houthis, aliados do Irão, não entraram na guerra?

CNN Portugal , BCE
13 mar, 13:07
Membros dos Houthis (EPA/YAHYA ARHAB)

Noutras ocasiões passadas, os rebeldes do Iémen não se coibiram de entrar em ação. Desta vez, porém, os aliados do Irão parecem ter escolhido ficar de fora deste conflito

Há uma ausência que está a ser notada neste conflito no Médio Oriente. Os rebeldes houthis do Iémen, com um histórico de ataques contra os países do Golfo, ainda não entraram na guerra, apesar de já terem anunciado que estão "prontos a agir a qualquer momento".

Poucos dias após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão, o líder houthi, Abdul Malik Al-Houthi, afirmou que o seu grupo estava pronto para atacar a qualquer momento.

“Em relação à escalada e à ação militar, estamos prontos para agir a qualquer momento, caso os acontecimentos o justifiquem”, declarou, num discurso televisivo, citado pela Reuters.

Todavia, ao contrário dos aliados xiitas do Irão no Líbano, o Hezbollah, e no Iraque, os houthis ainda não fizeram qualquer anúncio formal de adesão à guerra, como fizeram após os ataques de 7 de outubro de 2023, quando começaram a disparar contra navios internacionais no Mar Vermelho, alegando que o faziam em apoio aos palestinianos. Na altura, também lançaram drones e mísseis contra Israel, que respondeu com ataques aéreos contra alvos houthis.

Os houthis cessaram os seus ataques após um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Hamas em outubro de 2025.

Houve outras ocasiões em que os houthis não se coibiram de entrar em ação. O grupo alargou o seu poder no Iémen e reforçou laços com o Irão após os protestos da Primavera Árabe, em 2011, quando capturou a capital iemenita, Sanaa, em 2014.

No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma intervenção militar conjunta de países árabes numa tentativa de eliminar o grupo, mas os houthis mostraram-se fortemente armados e equipados, atacando instalações petrolíferas e infraestruturas vitais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.

Após anos de combates que desencadearam uma das piores crises humanitárias do mundo, a ONU intermediou um cessar-fogo em 2022 no Iémen, que tem sido respeitado desde então.

Os houthis e o "Eixo da Resistência" do Irão 

O contexto da guerra no Irão pode ajudar a entender, em parte, os motivos pelos quais os houthis parecem tão contidos neste conflito.

Segundo alguns analistas citados pela agência Reuters, a doutrina religiosa dos houthis não adere ao líder supremo do Irão da mesma forma que o Hezbollah e os grupos iraquianos.

Embora os houthis partilhem com o Irão e com o Hezbollah uma afinidade política, com o Irão a considerar o grupo como parte do seu "Eixo da Resistência" regional - os EUA dizem que o Irão armou, financiou e treinou os houthis com a ajuda do Hezbollah, algo que o grupo sempre negou -, os especialistas explicam que os rebeldes do Iémen são motivados sobretudo por uma agenda interna.

Alguns diplomatas e analistas acreditam que os houthis até já podem ter levado a cabo ataques isolados contra alvos nos países vizinhos; outros admitem que o grupo pode estar a aguardar o momento mais oportuno para entrar no conflito, em coordenação com o Irão, de modo a exercer máxima pressão.

Mas também há quem entenda que os houthis podem mesmo ficar de fora do conflito, tendo em conta a crescente pressão económica interna e a possibilidade de serem atacados pelos EUA e pelos países do Golfo.

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