Aviso foi feito numa entrevista exclusiva à CNN em Teerão por Kamal Kharazi, conselheiro de política externa do gabinete do líder supremo do Irão
Um alto responsável iraniano alertou que o país está preparado para uma guerra longa com os Estados Unidos e deu a entender que Teerão está disposto a continuar a atacar países do Golfo para tentar levá-los a convencer o presidente Donald Trump a recuar no conflito.
O aviso foi feito numa entrevista exclusiva à CNN em Teerão por Kamal Kharazi, conselheiro de política externa do gabinete do líder supremo do Irão. O responsável afastou, para já, qualquer via diplomática e afirmou que a guerra só terminará através de pressão económica, sinalizando um endurecimento da posição do regime no 10.º dia do conflito.
“Não vejo mais espaço para diplomacia. Porque Donald Trump tem enganado outros e não tem cumprido as suas promessas, e nós já experimentámos isso em duas rondas de negociações – enquanto estávamos a negociar, eles atacaram-nos”, afirmou Kharazi à CNN na segunda-feira.
“Não há espaço, a não ser que a pressão económica aumente ao ponto de outros países intervirem para garantir o fim da agressão dos americanos e dos israelitas contra o Irão”, acrescentou, sugerindo que os países árabes do Golfo e outros Estados devem pressionar os EUA para terminar a guerra.
“Esta guerra tem provocado muita pressão – pressão económica – sobre outros países, em termos de inflação e falta de energia. Se continuar, essa pressão vai aumentar ainda mais e, por isso, outros não terão alternativa senão intervir”, afirmou.
Impacto no petróleo
Desde que Estados Unidos e Israel lançaram a ofensiva, o Irão tem atingido vários países do Médio Oriente.
Teerão afirma que está a atacar interesses norte-americanos em países do Golfo, mas edifícios residenciais e aeroportos também foram repetidamente atingidos.
Os ataques iranianos exploraram a fragilidade do comércio global de energia, incluindo infraestruturas e rotas de transporte.
O tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz praticamente colapsou, enquanto o preço do petróleo ultrapassou 100 dólares por barril na segunda-feira, gerando preocupações nos mercados e nos consumidores.
Estima-se que cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo tenha sido afetado pelo conflito, aproximadamente o dobro do recorde registado durante a Crise do Suez de 1956-1957, segundo dados históricos do Rapidan Energy Group.
Além de perturbar o fluxo de petróleo da região, a guerra também eliminou praticamente toda a capacidade excedentária de produção, que normalmente funciona como amortecedor nos mercados energéticos. Essa capacidade mede quanto petróleo adicional pode ser rapidamente colocado no mercado, se necessário.
Irão usa grande parte da sua capacidade militar
Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou no domingo que o Irão está a usar 60% do seu poder de fogo para atacar bases militares dos EUA e “interesses estratégicos” na região.
Entretanto, Mojtaba Khamenei, segundo filho do antigo líder supremo Ali Khamenei, foi elevado no fim de semana ao cargo mais alto do país, um sinal de que a escalada do conflito pode continuar.
Questionado sobre se as forças armadas iranianas e a nova liderança estão alinhadas para o futuro, Kharazi respondeu: “Sim, exatamente.”
“A responsabilidade do líder da República Islâmica do Irão é liderar a capacidade de defesa do país. Assim como o aiatola Khamenei fazia, agora o novo líder fará o mesmo”, disse.
Trump afirmou na semana passada que a nomeação de Khamenei como sucessor do pai seria “inaceitável”.
“Isso não é da sua conta”, respondeu Kharazi.
Nota editorial
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