Tropas no terreno? EUA consideram operação especial para apreender urânio enriquecido do Irão

9 mar, 09:48
O presidente Donald Trump conversa com a imprensa enquanto o secretário da Defesa, Pete Hegseth (à direita), e o enviado especial Steve Witkoff (ao centro) estão ao seu lado a bordo do Air Force One, a 7 de março (Saul Loeb/AFP/Getty Images)

Notícia foi avançada pela Bloomberg e o Axios no domingo, ao início da segunda semana de ataques e contra-ataques no Médio Oriente. Fontes dizem que essa é uma de várias opções a serem estudadas pela administração Trump

Donald Trump está a avaliar a opção de enviar forças especiais para o terreno no Irão a fim de apreender o urânio enriquecido do regime, que alegadamente, segundo o presidente dos EUA, está perto do nível necessário para a produção de bombas nucleares.

A informação foi avançada este fim de semana por três diplomatas sob anonimato à Bloomberg, com o Axios a avançar a mesma notícia citando quatro fontes com conhecimento das discussões da administração.

Como adianta o Axios, qualquer operação para obter o controlo do material enriquecido exigiria tropas norte-americanas e/ou israelitas no terreno, para acederem às instalações subterrâneas fortemente fortificadas no contexto da guerra que EUA e Israel decidiram lançar sem pré-aviso há pouco mais de uma semana.

Trump tem alegado ao longo dos últimos meses, ainda antes de ordenar os primeiros ataques ao Irão, que o objetivo desta guerra é impedir que o país obtenha armas nucleares; segundo o secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, não há provas de que o Irão estivesse a construir uma arma nuclear, embora sejam necessárias inspeções para assegurar que o urânio enriquecido serve exclusivamente para fins domésticos.

O argumento do presidente dos EUA também contraria as informações da sua própria administração em junho passado, no final da chamada Guerra dos 12 Dias, quando foi garantido que os ataques coordenados com Israel contra as instalações de enriquecimento de urânio tinham “obliterado” o programa nuclear iraniano.

A possível operação no terreno - que não é certo se seria uma missão americana, israelita ou conjunta - envolve, segundo as fontes citadas pelo Axios, a apreensão dos cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% pelo regime, material que pode ser convertido em grau bélico numa questão de semanas.

Numa reunião com legisladores no Congresso na terça-feira passada, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tinha sido questionado sobre a segurança do urânio enriquecido do Irão, respondendo que "alguém vai ter de ir buscá-lo", sem especificar quem.

Ao Axios, um oficial de defesa israelita disse que Trump e a sua equipa estão a considerar "seriamente" o envio de unidades de operação especial para o Irão em missões específicas, sem precisar quais. Já um oficial norte-americano diz que a administração Trump debateu duas opções: remover completamente o material do Irão ou enviar especialistas nucleares para o diluírem in loco.

Esta missão envolveria provavelmente operadores especiais a par de cientistas nucleares, possivelmente da AEIA. Duas das fontes citadas pelo Axios dizem que essas duas alternativas integram um cardápio mais alargado de opções que foram apresentas a Trump antes do início da guerra, a 28 de fevereiro.

Na sexta-feira, a NBC News tinha noticiado que Trump discutiu a ideia de enviar um pequeno contingente de tropas americanas para o Irão com "fins estratégicos específicos", com o Semafor a noticiar também que, entre as opções para o Irão que a administração está a analisar, se contam operações especiais contra instalações nucleares.

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